Salvador entrou em 2013 como a principal capital do Nordeste e uma das maiores economias municipais do país. Treze anos depois, sob as administrações de ACM Neto e Bruno Reis, perdeu para Fortaleza a liderança econômica e social na região.
O contraste mais gritante aparece na saúde. Fortaleza possui 11 hospitais sob administração municipal, incluindo a Santa Casa, assumida temporariamente pela Prefeitura. Salvador, depois de oito anos de ACM Neto e mais de cinco anos de Bruno Reis, tem apenas três hospitais – e desses, apenas um foi construído por eles.
A situação da saúde pública soteropolitana só não é desesperadora porque o Governo da Bahia investe pesadamente na capital e ocupa o espaço deixado pela Prefeitura.
A rede estadual mantém 16 hospitais em Salvador: Hospital Ana Nery, 2 de Julho, Hospital da Mulher, Hospital do Subúrbio, Hospital Mário Leal, Hospital Especializado Octávio Mangabeira, Mont Serrat, Hospital Geral do Estado, Ernesto Simões, Roberto Santos, Manoel Victorino, Ortopédico, Professor Carvalho Luz, Eládio Lasserre, Hospital Juliano Moreira e o Instituto Couto Maia.
O Estado mantém ainda cinco maternidades autônomas em Salvador: Iperba, Tsylla Balbino, Maria da Conceição de Jesus, José Maria de Magalhães Netto e Albert Sabin. Também são estaduais as unidades de emergência de Cajazeiras entre outras.
Na educação, Fortaleza também está à frente. No Ideb de 2025, considerando exclusivamente as redes municipais, alcançou 6,1 nos anos iniciais do ensino fundamental, contra 5,6 de Salvador. Nos anos finais, a diferença foi de 5,0 para 4,5.
A economia mostra uma mudança ainda mais profunda. Fortaleza assumiu a liderança regional do PIB municipal em 2020 e chegou a 2023 com uma produção de R$ 86,9 bilhões, contra R$ 76,7 bilhões de Salvador. A diferença já supera R$ 10 bilhões. Considerando populações praticamente iguais, o PIB por habitante da capital cearense ficou em aproximadamente R$ 35,8 mil, enquanto o de Salvador permaneceu perto de R$ 31,7 mil. Não foi apenas uma troca de posições num ranking: Fortaleza passou a produzir 13,3% mais riqueza do que Salvador.
O mercado de trabalho confirma a diferença de densidade econômica. Em novembro de 2024, Fortaleza possuía aproximadamente 756,7 mil empregos formais, diante de 670,2 mil em Salvador — uma vantagem de 86,5 mil pessoas com carteira assinada. Mesmo com populações quase idênticas, a capital cearense mantinha um estoque de trabalhadores formalizados 12,9% maior.
Salvador aparece à frente de Fortaleza em apenas um dos indicadores comparados: a cobertura de esgotamento sanitário, com 88,6%, contra 64,2%. Porém, esse serviço é prestado pela Embasa, empresa controlada pelo Governo da Bahia.
Salvador tinha 2,68 milhões de habitantes em 2010 e caiu para 2,42 milhões em 2022, uma redução próxima de 9,6%. Fortaleza também perdeu população, mas muito menos: passou de 2,45 milhões para 2,43 milhões e terminou o Censo com cerca de 11 mil moradores a mais. Sob ACM Neto e Bruno Reis, Salvador deixou de ser a maior capital nordestina e caiu da terceira para a quinta posição entre as cidades mais populosas do Brasil justamente quando Fortaleza também tomava sua liderança econômica.

