A crise que envolve a Educação de Ilhéus ganhou novos desdobramentos nesta semana. Durante entrevista ao programa Falando Direito, da Rádio Bahiana, o presidente da Associação dos Professores Profissionais de Ilhéus (APPI/APLB), professor Osman Nogueira, afirmou que a rede municipal enfrenta atualmente três frentes de tensão: a investigação da Polícia Federal sobre contratos da merenda escolar, o impasse nas negociações salariais que pode resultar em greve da categoria e questionamentos sobre uma nova licitação milionária para fornecimento de alimentação escolar.
Ao comentar a Operação Merenda Digna, que apura possíveis irregularidades em um contrato superior a R$ 15 milhões destinado à alimentação escolar, Osman afirmou que a investigação precisa avançar também sobre um novo processo licitatório, avaliado em cerca de R$ 11 milhões, que prevê a terceirização de equipamentos e serviços de merenda por um período de cinco meses.
Segundo o dirigente sindical, a entidade já solicitou acesso ao contrato, mas ainda não recebeu a documentação. Ele questiona os valores envolvidos e afirma que o modelo adotado levanta dúvidas. De acordo com Osman, o documento teria características semelhantes a um contrato utilizado por um município do interior de Goiás, realidade que, segundo ele, não corresponde às necessidades da rede municipal de Ilhéus.
Além das preocupações com os contratos da alimentação escolar, o presidente da APPI/APLB relacionou a terceirização dos serviços ao futuro concurso público anunciado pela gestão do prefeito Valderico Reis. Para ele, a medida pode reduzir o espaço dos trabalhadores não docentes na estrutura das escolas municipais.
Osman destacou a importância desses profissionais para o funcionamento das unidades de ensino e argumentou que a presença de servidores efetivos contribui para a segurança e a rotina da comunidade escolar. O sindicalista defendeu maior transparência nos processos administrativos e reforçou a necessidade de esclarecimentos sobre os contratos ligados à merenda escolar.
As declarações ocorrem em um momento de forte pressão sobre a Secretaria Municipal de Educação, que além das investigações em curso, enfrenta negociações salariais ainda sem consenso com os trabalhadores da rede, cenário que mantém a possibilidade de paralisação da categoria nos próximos dias.




