A implementação da tarifa zero no transporte público de Ilhéus poderia ser viabilizada a partir dos recursos que o município já aplica no sistema, segundo uma projeção apresentada pela professora Adélia Pinheiro, pré-candidata a deputada federal pelo PT.
A análise foi construída com base no estudo “Tarifa Zero nas Cidades do Brasil 2026”, divulgado recentemente pela Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU), que reúne dados de municípios brasileiros que adotaram a gratuidade no transporte coletivo. A partir dos números nacionais, Adélia elaborou cenários considerando características de Ilhéus, como extensão territorial e perfil demográfico.
“Em todos os cenários, concluímos que o subsídio milionário ao transporte público já demonstra que a Prefeitura tem condições de viabilizar a tarifa zero em Ilhéus”, afirmou.
O levantamento da NTU aponta que o Brasil possui atualmente 143 municípios com tarifa zero universal. Desse total, 104 cidades têm menos de 50 mil habitantes, 25 estão na faixa entre 50 mil e 100 mil moradores e 14 possuem população superior a 100 mil pessoas.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes que adotaram a política, o custo anual por morador varia de R$ 47,55, em Formosa (GO), a R$ 608,21, em Maricá (RJ). A média registrada é de aproximadamente R$ 149 por habitante ao ano.
Segundo Adélia, o valor se aproxima do montante que Ilhéus já direciona ao transporte coletivo. Atualmente, o município destina cerca de R$ 147,78 por morador ao ano em subsídios ao sistema.
Projeção para Ilhéus
A partir dos cenários analisados, a estimativa considerada mais compatível com a realidade de Ilhéus aponta um custo anual entre R$ 18 milhões e R$ 26,4 milhões para implantação da tarifa zero.
O cálculo representa um investimento entre R$ 101 e R$ 147,78 por habitante ao ano. O teto da projeção coincide com o valor de aproximadamente R$ 26,4 milhões que, segundo Adélia, já é aplicado anualmente pelo município como subsídio ao transporte público.
“Mesmo levando em conta a extensão territorial e a complexidade operacional de Ilhéus, os recursos atualmente empregados no sistema estão dentro da faixa observada em experiências brasileiras de tarifa zero”, declarou.
Para a professora, os dados indicam que a discussão sobre a gratuidade do transporte em Ilhéus passa principalmente por uma decisão de prioridade na gestão pública. “Isso comprova a viabilidade financeira da política, desde que seja tratada como prioridade pelo governo local”, concluiu.



