Um dos principais nomes do forró tradicional, o cantor e sanfoneiro Flávio José anunciou que não realizará apresentações na Bahia durante os festejos juninos de 2026. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (3), por meio de um comentário publicado em suas redes sociais, após o artista tomar conhecimento de uma recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) relacionada à redução de cachês pagos em contratações para o São João.
A manifestação ocorre em meio às negociações conduzidas pelo órgão com prefeituras baianas para adequar os gastos públicos destinados à contratação de atrações artísticas durante os festejos juninos.
Em sua publicação, Flávio José demonstrou forte insatisfação com a possibilidade de redução dos valores acordados para suas apresentações e afirmou ter se sentido desvalorizado após décadas de dedicação ao público baiano.
“Este ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê. Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho”, escreveu.
O artista também afirmou que, diante da situação, optou por não cumprir agenda no estado durante o período junino.
“Por esse motivo não irei à Bahia este ano. Lamentável. Deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve”, acrescentou.
Reconhecido como um dos maiores representantes do forró nordestino, Flávio José mantém uma relação histórica com o São João baiano, sendo presença frequente em diversas cidades do interior do estado ao longo das últimas décadas.
A declaração repercutiu entre fãs e profissionais do setor cultural, reacendendo o debate sobre os critérios adotados para a contratação de artistas nos festejos juninos. Enquanto órgãos de controle defendem maior equilíbrio e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos, artistas e representantes da cultura tradicional argumentam que medidas desse tipo podem impactar diretamente a valorização de nomes que ajudaram a construir a identidade das festas populares nordestinas.
Até o momento, o Ministério Público da Bahia não se manifestou especificamente sobre as declarações do cantor.
