Quase seis décadas depois de inaugurada, a Ponte Lomanto Júnior, um dos principais cartões-postais e corredores de mobilidade de Ilhéus, voltou a ser tema de discussão política e urbana. A deputada estadual Soane Galvão (PSB) apresentou indicação na Assembleia Legislativa solicitando ao governador Jerônimo Rodrigues uma avaliação técnica emergencial da estrutura, além de obras de requalificação e recuperação da ponte.
O equipamento integra a BA-001 e atravessa o Rio Cachoeira, conectando o centro de Ilhéus ao bairro do Pontal, na zona sul da cidade. Inaugurada em 15 de agosto de 1966, a estrutura foi concebida para facilitar o acesso ao então crescente bairro e impulsionar a expansão urbana daquela área.
Segundo a parlamentar, a preocupação surge diante de sinais de desgaste observados na ponte ao longo dos anos. Na justificativa apresentada à Assembleia, ela afirma que a estrutura apresenta fissuras, desgaste e possíveis sinais de comprometimento em partes das vigas, o que, na avaliação dela, exige uma vistoria especializada.
A ponte é um dos principais eixos de circulação da cidade. Diariamente, recebe fluxo intenso de veículos, incluindo ônibus do transporte coletivo, ambulâncias, caminhões de abastecimento e veículos de serviço. Além disso, é rota utilizada por pedestres e ciclistas que fazem a travessia entre as duas áreas mais movimentadas do município.
Para a deputada, a situação exige ação preventiva. Ela defende a realização de uma inspeção técnica detalhada seguida de eventuais obras de reforço estrutural e requalificação para garantir a segurança de quem utiliza o local.
Ao mesmo tempo, o tema reacende uma discussão recorrente em Ilhéus: a manutenção da infraestrutura urbana histórica da cidade. Enquanto parte da população considera necessária uma intervenção imediata para evitar riscos futuros, outros defendem que qualquer medida deve ser precedida de estudos técnicos consistentes, capazes de dimensionar o real estado da estrutura e evitar alarmismos.
Com quase 60 anos de funcionamento contínuo, a ponte permanece como peça central da mobilidade urbana de Ilhéus — e também como símbolo de um debate mais amplo sobre manutenção preventiva, investimentos públicos e planejamento das cidades que cresceram ao redor de obras construídas em outra época.


