São Jorge da Capadócia: fé, história e identidade marcam a celebração do padroeiro de Ilhéus

Por Anna Karenina MTB-BA 4085

Ilhéus vive, no dia 23 de abril, uma de suas datas mais simbólicas de feriado municipal: a celebração de São Jorge, padroeiro da cidade e da Diocese. A data reúne fé, tradição e memória histórica, conectando gerações em torno de uma devoção que atravessa séculos.

A programação religiosa inclui missas ao longo do dia, às 7h (Missa das Intenções) e às 10h (Missa Solene), além da tradicional procissão às 16h, organizada pela Paróquia São Jorge dos Ilhéus. As celebrações integram ainda o período da novena, realizada entre os dias 14 e 23 de abril.

Neste ano, a festa ganha um significado ainda mais especial: a Paróquia de São Jorge completa 470 anos de fundação, caminhando rumo aos 500 anos de história. Trata-se de uma das mais antigas igrejas do Brasil, com origem ligada diretamente aos primórdios da formação do país.

Segundo o pároco, padre Edson Hagge, a celebração une dimensões histórica, espiritual e comunitária.

“Este ano nós destacamos os 470 anos da criação da Paróquia São Jorge dos Ilhéus, no dia 23 de abril, dia da festa. Também estamos vivendo as alegrias da Páscoa, falando do martírio de São Jorge e reforçando a campanha da nossa Catedral, que é a igreja-mãe de toda a diocese”, afirmou.

Uma história que nasce com a própria cidade

A devoção a São Jorge em Ilhéus remonta à fundação da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, em 1534. Ao longo do tempo, passou pela criação da freguesia, em 1556, e pela construção da primeira capela, em 1565. Com a criação da Diocese, em 1913, a Igreja Matriz foi elevada à condição de Catedral, consolidando oficialmente o santo como padroeiro da cidade e da Diocese.

Na homilia, padre Edson destacou a profundidade desse legado:

“Trazer presente toda a nossa história, que é um patrimônio de fé para nós e desta nossa cidade de Ilhéus. Pois no início dela, e ela se inicia a partir deste ato de fé, desta pequena capela de palha erguida, lá no morro de São Sebastião, para dizer que à frente deve sempre caminhar o sagrado. Quando nós contemplamos a vida de São Jorge, percebemos que essa graça de Deus atravessa os séculos da história e chega até nós, aqui nas terras do cacau. É a presença de Deus que continua viva, que se manifesta na vida do seu povo e que nos chama, ainda hoje, a testemunhar essa fé com coragem e fidelidade.”

Ele também ressaltou a relevância histórica da paróquia no contexto nacional:

“Das milhares de paróquias existentes hoje no Brasil, nós somos a terceira, criada a partir da primeira diocese, na então Arquidiocese de São Salvador da Bahia.”

O sentido da devoção: memória da presença de Deus

A festa de São Jorge carrega um significado teológico profundo.

“Todas as festas que nós celebramos, intituladas em honra dos Santos, é para falar da grandeza de Deus na nossa vida e na vida da Igreja. Quando nós olhamos para a imagem de São Jorge, nós contemplamos neste ícone a grandeza de Deus na sua vida, que perpassa os séculos da história e chega até cada um de nós.”

Símbolos e espiritualidade

Entre os elementos simbólicos destacados durante a celebração está a imagem tradicional de São Jorge. Segundo a reflexão apresentada na homilia, a posição da espada voltada para baixo e o dedo apontando para o alto representam a batalha pela fé.

“A espada de São Jorge está para baixo, e o dedo erguido para cima, para nos apontar a vida pelos bens de Deus. Foi capaz de inclinar a sua espada, não no combate físico, mas no combate da fé em engrandecer o Reino de Deus”.

Fé que se renova e mobiliza

A festa do padroeiro também está integrada à Campanha de Restauração da Catedral de São Sebastião, reforçando o vínculo entre fé e preservação do patrimônio histórico e religioso da cidade.

Ao longo dos séculos, a devoção a São Jorge se consolidou como uma das mais fortes expressões religiosas de Ilhéus. Como entoam os devotos, geração após geração: “Teu louvor nunca foi interrompido, Santo Mártir, do povo de Ilhéus.”

Neste 23 de abril, a cidade celebra sua própria história, sua identidade e a continuidade de uma fé que segue viva, enraizada em
Ilhéus e no coração do povo.

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