A maior vitrine global dedicada ao cacau e ao chocolate terá, pela primeira vez, uma edição brasileira. O Salon du Chocolat, considerado o principal evento do setor no mundo, está confirmado para desembarcar no país em dezembro de 2026, ampliando o protagonismo brasileiro na cadeia produtiva do cacau.
Criado em Paris e consolidado em cidades como Tóquio, Nova York e Dubai, o evento ainda não tem sede definida no Brasil. Três capitais aparecem como candidatas naturais: Salvador, pelo peso histórico ligado à cultura cacaueira; Belém, pelo avanço da produção na Amazônia; e São Paulo, reconhecida como centro de consumo e negócios. A decisão final ficará a cargo da organização.
A iniciativa é liderada pelo empresário baiano Marco Lessa, à frente do Grupo M21. Lessa é também o criador do Chocolat Festival, considerado o maior da América Latina, e do Brasil Origem Week, realizado anualmente em Portugal.
A edição nacional deve reunir produtores de cacau, fabricantes de chocolate, chefs e especialistas de diferentes países, com foco no fortalecimento do cacau fino de origem. A proposta vai além da vitrine comercial: o evento pretende posicionar o Brasil no centro das discussões globais sobre o futuro do chocolate, com uma programação que inclui desfiles temáticos, palestras, exposições artísticas e uma ampla feira de negócios.
Segundo Lessa, a chegada do Salon du Chocolat ao país também carrega um objetivo estratégico: reduzir a dependência do modelo de commodity ainda predominante no setor. A aposta está na valorização do produto de origem e na verticalização da cadeia, destacando um diferencial brasileiro; a capacidade de produzir, transformar e consumir cacau e chocolate dentro do próprio território.
O investimento previsto para a edição brasileira pode alcançar € 1,5 milhão (cerca de R$ 8 milhões). Como referência, a edição parisiense movimenta aproximadamente € 10 milhões, o que sinaliza o potencial econômico do evento e sua capacidade de gerar negócios, turismo e visibilidade internacional para o Brasil.

