O novo valor do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, entra em vigor nesta quinta-feira (1º). O reajuste de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, já vale para salários e benefícios referentes ao mês de janeiro, que serão pagos no início de fevereiro.
O aumento resulta da combinação da inflação acumulada e de um ganho real limitado pelas regras fiscais em vigor. O cálculo levou em conta o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro, que ficou em 4,18%, somado a um aumento real de 2,5%, teto estabelecido pelo arcabouço fiscal.
Com isso, o valor final ficou abaixo das projeções iniciais do governo. No Orçamento de 2026, a estimativa era de R$ 1.631, enquanto cálculos divulgados no fim de novembro apontavam para R$ 1.627. A principal razão para a diferença foi a inflação menor do que a prevista.
Quem recebe o salário mínimo — ou benefícios atrelados a ele, como aposentadorias, pensões, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — já terá o valor reajustado nos pagamentos feitos em fevereiro.
Como o valor foi definido
Se fosse aplicada apenas a regra constitucional de correção pela inflação, o salário mínimo subiria para cerca de R$ 1.582. No entanto, o governo federal retomou a política de valorização do salário mínimo, que prevê aumentos acima da inflação, vinculados ao desempenho da economia.
Essa política foi restabelecida em 2023, por meio de medida provisória aprovada pelo Congresso, prevendo a correção pelo INPC somada ao crescimento do PIB. Considerando a inflação de 4,18% e o crescimento do PIB de 2024, estimado em 3,4%, o salário mínimo poderia chegar a R$ 1.636.
Contudo, uma lei aprovada em dezembro limitou o ganho real a 2,5%, em linha com as regras do arcabouço fiscal. Com essa trava, o cálculo final resultou nos R$ 1.621 que passam a valer em 2026.
Efeito nas contas públicas
O reajuste do salário mínimo tem impacto direto nas despesas do governo federal, já que diversos benefícios previdenciários e assistenciais não podem ser inferiores a esse valor. Abono salarial, seguro-desemprego e aposentadorias são alguns exemplos.
Segundo estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um impacto de cerca de R$ 420 milhões nas despesas públicas ao longo de 2026. Assim, a elevação de R$ 103 em relação ao valor anterior representa um acréscimo aproximado de R$ 43,2 bilhões nos gastos obrigatórios.
Esse crescimento pressiona o orçamento e reduz a margem para despesas discricionárias — aquelas que o governo pode decidir como e onde aplicar — o que pode afetar a execução de políticas públicas ao longo do ano.

