Senador afirma aceitar abertura de seus dados dos últimos 20 anos, mas condiciona divulgação a informações sobre familiares, assessores e despesas da Presidência.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reagiu ao desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou, nesta quarta-feira (21), uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual afirma aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. No entanto, o parlamentar impôs condições, exigindo que Lula também autorize a divulgação de informações envolvendo familiares, ex-assessores e gastos da primeira-dama, Janja da Silva.
A iniciativa ocorre após Lula propor, durante o debate presidencial da Band, no último domingo (18), que ambos os candidatos tornassem públicos seus dados e os de familiares. Na terça-feira (20), o presidente apresentou documentos ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando a liberação das informações, desde que o adversário adotasse a mesma medida.
Na petição, Flávio afirma estar disposto a abrir seus sigilos referentes aos últimos 20 anos, incluindo dados de empresas das quais participa como sócio ou administrador. O senador também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Entre as exigências apresentadas pelo candidato do PL está a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal de Lula. A campanha de Flávio argumenta que o presidente utilizaria telefones de assessores para suas comunicações, o que, segundo o senador, tornaria insuficiente a divulgação apenas dos registros telefônicos em nome do petista.
O parlamentar também solicita informações sobre movimentações financeiras envolvendo Marcola e a empresária Roberta Luchsinger, investigada em apurações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ex-assessor já reconheceu ter recebido recursos da empresária, mas negou qualquer irregularidade, afirmando que se tratava de um empréstimo pessoal quitado.
Outra cobrança envolve a divulgação integral das despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, além de registros da agenda da primeira-dama Janja e informações sobre visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada.
Flávio também pede esclarecimentos sobre possíveis encontros e relações entre integrantes do governo e Daniel Vorcaro, incluindo registros de reuniões e visitas a instalações oficiais.
Apesar de declarar concordância com a abertura de seus próprios dados, o senador condicionou a entrega da documentação ao atendimento das exigências feitas ao presidente. Ele solicitou ao TSE que Lula seja intimado a responder aos pedidos apresentados.
A disputa sobre a quebra de sigilos intensifica o confronto entre os dois candidatos na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O tema deve voltar ao centro do debate da TV Globo, previsto para sexta-feira (23), último confronto televisivo antes da votação.
As cobranças apresentadas por Flávio Bolsonaro fazem parte de sua manifestação à Justiça Eleitoral e não representam, por si só, comprovação de irregularidades envolvendo as pessoas mencionadas.


