O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após desenvolver uma pneumonia aspirativa considerada grave pela equipe médica. Em coletiva realizada nesta sexta-feira (13), os médicos alertaram que o episódio que levou à internação representou um evento potencialmente fatal.
De acordo com o médico Claudio Birolini, a pneumonia aspirativa pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e, em casos mais graves, levar o paciente à morte caso não haja intervenção médica imediata. Apesar da gravidade do quadro, Bolsonaro encontra-se estabilizado e consciente, sob monitoramento constante na UTI.
A equipe informou que a internação em terapia intensiva será mantida por tempo indeterminado. Segundo o cardiologista Leandro Echenique, a permanência no setor dependerá da evolução clínica do ex-presidente.
Outro fator de preocupação apontado pelos médicos foram os calafrios apresentados durante o quadro infeccioso, indicativos de bacteremia — condição em que bactérias entram na corrente sanguínea e aumentam o risco de complicações sistêmicas.
Pneumonia mais grave
Os médicos afirmaram que esta é a terceira pneumonia enfrentada por Bolsonaro e também a mais severa até agora. O médico Brasil Caiado destacou que a rapidez com que a infecção evoluiu chamou a atenção da equipe.
Segundo ele, exames realizados poucas horas após o início dos sintomas já apontavam comprometimento significativo dos pulmões, o que elevou o nível de alerta entre os profissionais de saúde.
Bolsonaro está em tratamento com antibióticos intravenosos e suporte clínico não invasivo. Após receber os primeiros medicamentos, apresentou leve melhora, embora ainda relate sintomas como enjoo, dor de cabeça e dores musculares, comuns em quadros infecciosos.
Defesa de prisão domiciliar
Durante a coletiva, integrantes da equipe médica voltaram a defender que o ex-presidente cumpra pena em regime domiciliar, argumentando que determinadas condições do ambiente prisional podem agravar problemas de saúde.
Segundo os profissionais, fatores como alimentação controlada e acompanhamento médico mais próximo poderiam reduzir o risco de novos episódios clínicos.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado e estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, antes de ser levado ao hospital.
Segurança e visitas
Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente permanece sob escolta policial durante a internação.
A esposa, Michelle Bolsonaro, foi autorizada a acompanhá-lo no hospital, e os filhos também podem realizar visitas. O magistrado também determinou a proibição da entrada de celulares, computadores ou outros dispositivos eletrônicos na área onde o paciente está internado.
Histórico de saúde
O ex-presidente enfrenta problemas de saúde recorrentes desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018 em Juiz de Fora. O ataque provocou perfurações no intestino e hemorragia interna, exigindo cirurgia de emergência e vários procedimentos posteriores.
Desde então, Bolsonaro passou por diversas intervenções médicas e registra episódios frequentes de obstrução intestinal, hérnias e dores abdominais, complicações associadas às cirurgias realizadas após o atentado.

