A cultura afro-brasileira ganha espaço na programação que marca os 114 anos de nascimento de Jorge Amado, em Ilhéus. Nesta segunda-feira (10), às 16h, crianças e adolescentes do Projeto Vunje de Percussão Infantil ocupam a Praça Pedro Mattos, no Centro Histórico, para uma apresentação que reúne música, identidade e tradição.
Mantido pela ONG Gongombira de Cultura e Cidadania, o projeto desenvolve um trabalho voltado principalmente para crianças e adolescentes da periferia de Ilhéus. Mais do que oferecer atividades artísticas, a iniciativa utiliza a cultura como instrumento de formação, valorização da identidade negra e promoção da educação antirracista.
A percussão é um dos principais caminhos desse trabalho. Mas não é o único. Ao longo das atividades, os participantes também têm contato com capoeira, maculelê, dança afro e teatro. A formação artística ainda deu origem ao Bloco Afro Mirim Vunje, que leva crianças e adolescentes para o Carnaval de Ilhéus, transformando as ruas em espaço de expressão da cultura afro-brasileira.
A apresentação desta segunda-feira coloca esse trabalho diante de um público que estará reunido para celebrar a trajetória de Jorge Amado, um dos nomes que mais projetaram Ilhéus para o imaginário brasileiro. Para os integrantes do Vunje, a participação também representa a oportunidade de mostrar uma cultura que permanece presente no cotidiano da cidade e é transmitida entre gerações.
A relação entre a homenagem ao escritor e a presença do projeto na programação não é apenas simbólica. Jorge Amado construiu boa parte de sua obra a partir das histórias, personagens, costumes e contradições de uma Bahia marcada pela diversidade cultural. O Vunje, por outro caminho, trabalha justamente para que parte dessa memória continue sendo vivenciada, sobretudo pelas novas gerações.
Ao levar crianças e adolescentes ao palco das celebrações, o projeto reforça que preservar cultura também passa por criar espaços para que os mais jovens sejam protagonistas dessa história.

