Produtores rurais, comerciantes e representantes da cadeia produtiva do cacau realizam, nesta quarta-feira, 28, um protesto no entorno do Porto de Ilhéus. A mobilização é motivada pela insatisfação com a importação de grandes volumes de cacau africano pela indústria brasileira e pelos deságios considerados excessivos nos preços pagos ao produtor local.
O ato ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade no mercado. Segundo os manifestantes, a entrada do produto estrangeiro acontece justamente durante o período de colheita regional, o que amplia a oferta e contribui para a redução dos valores pagos pela arroba do cacau no mercado interno.
De acordo com representantes do movimento, o setor já enfrenta dificuldades econômicas devido à queda acentuada nos preços. Em aproximadamente um ano, a arroba teria recuado de cerca de R$ 1.000 para patamares próximos a R$ 250, valor considerado insuficiente para cobrir custos de produção, investimentos nas lavouras e compromissos financeiros dos produtores.
Além da questão dos preços, os participantes do protesto também criticam o que classificam como falta de isonomia nas regras de mercado. A pauta inclui a revisão das normas de importação, critérios mais rigorosos de classificação das amêndoas estrangeiras e maior controle sobre aspectos socioambientais e trabalhistas dos países exportadores. Segundo os produtores, há concorrência desleal, uma vez que o cacau importado não enfrentaria as mesmas exigências impostas à produção nacional.
Representantes da indústria processadora alegam que o mercado global atravessa um período de retração na demanda por derivados de cacau, o que tem reduzido o ritmo de moagem e contribuído para a formação de estoques. As indústrias argumentam ainda que as importações fazem parte de contratos firmados com antecedência e seriam necessárias para garantir o abastecimento contínuo e a utilização da capacidade instalada das fábricas.
O impasse evidencia o aumento da tensão entre produtores e indústrias em um momento de ajustes no mercado internacional do cacau, marcado por forte volatilidade de preços. Os manifestantes afirmam que o protesto no Porto de Ilhéus é um alerta e não descartam novas mobilizações caso não haja avanços nas negociações e na revisão das políticas adotadas para o setor.


