“Parem de nos matar”: ato do Dia da Mulher em Brasília denuncia feminicídio e cobra ações do poder público

Centenas de pessoas participaram, no último sábado, 8 de março, de uma manifestação em Brasília em alusão ao Dia Internacional da Mulher. O ato ocorreu nas proximidades da Torre de TV, no centro da capital federal, e reuniu coletivos feministas, sindicatos, partidos políticos e grupos culturais em uma mobilização marcada por denúncias contra a violência de gênero e reivindicações por políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

Com cartazes e faixas estampando frases como “Parem de nos matar”, manifestantes chamaram atenção para o aumento dos casos de feminicídio no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, somente em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no Brasil, número que representa crescimento de 4,7 por cento em relação ao ano anterior.

A mobilização contou também com apresentações culturais, entre elas a participação do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília. A coordenadora da iniciativa, Raquel Braga Rodríguez, destacou que o combate ao feminicídio permanece como uma das principais bandeiras do movimento. Segundo ela, a expectativa é que medidas como o Pacto Nacional contra o Feminicídio resultem em ações concretas e na redução dos índices de violência.

Entre os participantes estava a artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, que levou para o ato a obra intitulada Medo, na qual um revólver aparece apontado para uma mulher. Para a artista, a peça representa a sensação constante de insegurança enfrentada por muitas brasileiras diante da violência e do assédio em diferentes ambientes do cotidiano.

A manifestação também reuniu militantes históricos do movimento de mulheres. Aos 88 anos, a professora de música aposentada Lydia Garcia, integrante do Coletivo Mulheres Negras Baobá, marcou presença no ato. Ela destacou a importância da mobilização feminina, especialmente das mulheres negras, na luta contra o feminicídio e outras formas de violência que atingem a população.

Além da denúncia da violência de gênero, o protesto incorporou críticas à gestão do Governo do Distrito Federal, liderado pelo governador Ibaneis Rocha e pela vice-governadora Celina Leão. Manifestantes questionaram a falta de recursos destinados às políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

A representante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Jolúzia Batista, afirmou que a escassez de orçamento compromete ações essenciais de prevenção e atendimento às vítimas de violência. Segundo ela, a destinação de recursos por meio de emendas parlamentares tem reduzido investimentos em programas estruturantes voltados às mulheres, o que afeta serviços, campanhas educativas e capacitação de profissionais.

Uma das organizadoras da mobilização, Thamy Frisselly, destacou que a Marcha Unificada do 8 de Março em Brasília completa dez anos e se consolidou como o principal ato político feminista da capital. Ela afirma que avanços importantes foram conquistados ao longo das últimas décadas, como a ampliação do número de delegacias especializadas no atendimento à mulher e o fortalecimento do debate público sobre diferentes formas de violência.

Outra pauta levantada durante o protesto foi o fim da escala de trabalho conhecida como 6 por 1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. De acordo com as manifestantes, esse modelo impacta de forma mais intensa as mulheres, que frequentemente acumulam jornadas domésticas e responsabilidades de cuidado com familiares.

Durante o ato também foram registradas manifestações contra conflitos internacionais e críticas à atuação de potências estrangeiras em países como Irã, Cuba e Venezuela, além de protestos contra ações militares de Israel na Palestina.

Ao longo da tarde, os participantes reforçaram que a mobilização do Dia Internacional da Mulher segue sendo um espaço de denúncia, reflexão e reivindicação por igualdade de direitos, segurança e melhores condições de vida para mulheres em todo o país.

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