Mesmo com quedas frequentes na zona sul de Ilhéus, Aneel autoriza aumento na tarifa da Coelba

Reajuste de até 2,53% entra em vigor no dia 22 de abril; consumidores questionam qualidade do serviço diante de novas altas

A partir do próximo dia 22 de abril, os baianos terão um novo motivo para se preocupar com o orçamento doméstico: a Aneel aprovou um reajuste médio de 2,05% nas tarifas da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba). A decisão vale para mais de 6,7 milhões de unidades consumidoras em todo o estado — inclusive aquelas que convivem com quedas constantes de energia, como é o caso da zona sul de Ilhéus, onde a instabilidade no fornecimento já virou rotina.

Para os consumidores residenciais e de baixa tensão, o aumento será de 1,88%. Já os atendidos em alta tensão — como indústrias e grandes estabelecimentos comerciais — terão um reajuste de 2,53%. Na prática, todos pagarão mais por um serviço que, em muitas regiões, segue longe do ideal.

Zona sul de Ilhéus: onde a energia vai embora antes do café esfriar

Moradores de bairros como Nelson Costa, Hernani Sá e Pontal já estão acostumados com as interrupções frequentes no fornecimento de energia. Oscilações, apagões inesperados e longos períodos de espera por restabelecimento viraram parte do cotidiano — mesmo em dias sem chuvas ou ventos fortes. A população convive com prejuízos em eletrodomésticos e insegurança, enquanto a conta segue chegando pontualmente, agora com acréscimo.

Apesar disso, a Coelba — concessionária do grupo Neoenergia — foi novamente autorizada a reajustar suas tarifas. Segundo a empresa, os principais fatores que influenciaram o aumento são os encargos setoriais (1,86%) e os custos com transmissão e geração de energia (0,03%). Os chamados componentes financeiros tiveram impacto de -3,12%, ajudando a evitar um reajuste ainda maior.

Para onde vai o dinheiro da conta

A Coelba detalhou a distribuição do valor pago pelos consumidores nas faturas de energia:

  • 34,47% para compra e transmissão de energia;

  • 33,30% para tributos e encargos setoriais;

  • 32,22% ficam com a empresa, destinados à operação, manutenção, administração e investimentos.

Enquanto a empresa afirma investir constantemente na melhoria da rede, a percepção dos consumidores — especialmente nas regiões mais afetadas — é de que o retorno ainda está longe do esperado.

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