A viagem internacional que levou o governador Jerônimo Rodrigues à Índia e à Coreia do Sul, integrando a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não foi protocolar. O retorno à Bahia, nesta quinta-feira (26), acontece com anúncios que redesenham dois eixos estratégicos do estado: saúde pública de alta complexidade e tecnologia de ponta movida a energia limpa.
No campo da saúde, o avanço mais significativo envolve a parceria com a sul-coreana Samsung Biologics para produção de medicamentos oncológicos de alta tecnologia na Bahiafarma. A negociação entra agora na fase contratual ao longo de 2026, com transferência tecnológica prevista.
“Estamos nas tratativas, esse ano será dedicado aos contratos. Teremos esse medicamento sendo produzido com a tecnologia Samsung na Bahiafarma”, afirmou o governador.
A sinalização é clara: ampliar a autonomia do estado na produção de remédios de alta complexidade, reduzir custos e fortalecer o SUS a partir da indústria instalada em solo baiano.
Polo tecnológico no interior
Se na saúde a palavra é inovação, na área de tecnologia ela vem acompanhada de cifras robustas. O governador negociou a implantação de data centers na região de Igaporã e Caetité, no sudoeste baiano. O projeto, autorizado pelo Ministério de Minas e Energia, prevê investimento estimado em R$ 900 milhões.
A proposta é transformar a região em um polo tecnológico abastecido por energia limpa, aproveitando a vocação eólica e solar do território. A fase inicial prevê cerca de 120 empregos diretos, com expectativa de expansão conforme as operações avancem.
Em um estado historicamente marcado por desigualdades regionais, a interiorização de investimentos bilionários não passa despercebida. A aposta é criar uma nova fronteira de desenvolvimento, longe do eixo tradicional da capital.
Chocolate baiano chega à Índia
A missão também abriu portas para o agronegócio. Pequenos produtores de cacau do sul da Bahia passaram a acessar o mercado indiano, movimento celebrado pelo governador como um salto qualitativo para a cadeia produtiva.
“Tivemos a oportunidade de ver o chocolate da Bahia chegando ao mercado indiano. É um salto qualificado”, declarou.
O gesto tem peso simbólico e econômico. A Bahia, que já foi protagonista mundial do cacau, busca retomar espaço com produtos de maior valor agregado, fortalecendo agricultores familiares e marcas regionais.
Suspensão da importação de cacau
Entre os resultados imediatos, uma reivindicação antiga dos produtores baianos ganhou resposta. Após articulação durante a comitiva, o governo federal anunciou a suspensão da importação de cacau, medida vista como proteção à produção local.
“A cadeia produtiva do cacau saiu vitoriosa. Fruto dessas reuniões feitas aqui nessa comitiva do presidente Lula”, afirmou Jerônimo.
Hidrogênio no radar automotivo
No setor industrial, as conversas com a Hyundai avançaram para estudos sobre produção de veículos movidos a hidrogênio na Bahia, em parceria com o Senai Cimatec e universidades estaduais.
A proposta dialoga com a transição energética e posiciona o estado dentro de uma agenda global de descarbonização.
Ao desembarcar em Salvador, Jerônimo retoma a agenda ao lado do vice-governador Geraldo Júnior com um discurso sustentado por números e compromissos firmados fora do país. A missão à Ásia, segundo o governo, não foi apenas diplomática. Foi estratégica — e pretende deixar marcas concretas na economia baiana nos próximos anos.


