Jaca com Caranguejo: um viaduto, quatro pontes e uma só região

*Por Anna Karenina MTB-BA 4085

Após quatro dias de efervescência carnavalesca, definidos pelo prefeito Augusto Castro como “o melhor carnaval antecipado do Brasil”, Itabuna comprovou que realmente “sabe fazer festa”, como afirmou o governador Jerônimo Rodrigues durante o Ita Pedro 2025, e que “precisou se movimentar”, como pontuou o prefeito Valderico Júnior após a Virada Ilhéus 2026.

Atrações de peso levaram alegria e mobilizaram não apenas o público itabunense, mas toda a região. Pessoas de diversas cidades, papas jacas e, também, muitos papas caranguejos, se reuniram em um circuito bem estruturado, que apresentou a maior grade cultural da história de Itabuna, marcada por forte sensação de segurança, com presença efetiva e atuação integrada das forças policiais.

O fato é que o Sul da Bahia vive um período de destaque no calendário de eventos de grande porte, com atrações de alcance nacional e internacional. Esse cenário convida à reflexão sobre o momento que a região experimenta: primeiro, com milhares de pessoas celebrando a chegada de um novo ciclo em Ilhéus; agora, com Itabuna reafirmando sua força como cidade de festa, desenvolvimento e encontro de multidões.

Durante décadas, Ilhéus e Itabuna foram comparadas sob uma lógica de competição e rivalidade que atravessou gerações. No entanto, as obras estruturantes em fase final de entrega pelo Governo do Estado da Bahia apontam para um novo capítulo dessa relação. O novo sistema viário da BA-649, com 18 quilômetros ao longo da margem do Rio Cachoeira, quatro pontes e um viaduto, além da duplicação da BA-963, com 2,3 quilômetros de acesso, e mais 5,1 quilômetros do entroncamento da BA-693 até Itabuna, vão além de ganhos em mobilidade, trafegabilidade e expansão urbana para cerca de 500 mil pessoas da região. Revelam, sobretudo, uma oportunidade histórica.

Estamos diante do reconhecimento de Ilhéus e Itabuna como cidades co-irmãs, unidas não apenas por estruturas de concreto, mas pela força social e econômica de uma mesma região. O que se vivencia hoje supera a integração urbana material. Expressa, na verdade, a integração da comunidade existente entre os dois municípios, que naturalmente se desenvolve e se perfaz diante do novo momento entre papas caranguejos e papas jacas.

Itabuna, sob a gestão do prefeito reeleito Augusto Castro (PSD), alinhado ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), e Ilhéus, sob a condução do prefeito Valderico Júnior (União Brasil), aliado de ACM Neto e em campo político distinto do governo estadual, demonstram que, independentemente das diferenças partidárias, a população do Sul da Bahia só tem a ganhar com políticas públicas voltadas à infraestrutura, ao desenvolvimento urbano, à cultura e ao turismo.

Ao fortalecer a cadeia produtiva, impulsionar o comércio, gerar renda e promover impacto econômico, iniciativas públicas como as realizadas em Ilhéus e Itabuna, somadas às obras estruturantes do governo baiano, contribuem para promover o Sul da Bahia como um destino acolhedor, seguro e potencialmente aberto para vivenciar novos ciclos de crescimento e prosperidade.

O desafio, ou talvez a grande oportunidade, para ilheenses e itabunenses, como gente da comunidade do Sul da Bahia, não está na comparação, mas na capacidade de mobilizar os entes governamentais, sejam municipais, estaduais ou federais, para a manutenção de políticas públicas estruturantes e contínuas. Afinal, o Sul da Bahia não é apenas um celeiro de belezas naturais e expressivo contingente eleitoral; é, sobretudo, um território de gente que quer crescer, ser acolhida para também acolher.

A atmosfera de rivalidade entre Ilhéus e Itabuna tem ingredientes concretos para começar a se dissipar e a perder sentido à medida que, além de pontes e viadutos, constrói-se uma consciência coletiva de pertencimento a uma única região. Uma região que cresce junto, que se movimenta e que pode influenciar seus atores políticos a valorizar mais aquilo que une do que o que separa.

A mentalidade do desenvolvimento regional passa, necessariamente, pela autoimagem de seus próprios cidadãos: perceber-se como parte de um território rico, integrado e pulsante. Um lugar de gente que cria festas, constrói pontes, atravessa viadutos simbólicos e reais, e se organiza para impulsionar o Sul da Bahia como uma região atraente, pujante e desenvolvida, para as gerações presentes e futuras, o ano inteiro, todos os anos.

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