Unidade está parada há três dias após ação do Ministério Público do Trabalho; trabalhadores precisam recorrer a cidades vizinhas para garantir a conservação do pescado.
A interdição da fábrica de gelo instalada no Terminal Pesqueiro de Ilhéus já começa a provocar reflexos na rotina de pescadores e trabalhadores que dependem diretamente do produto para manter suas atividades. A unidade está sem operar há três dias, após uma determinação do Ministério Público do Trabalho (MPT), que identificou irregularidades relacionadas à segurança e às condições da estrutura.
O problema, porém, vai além da paralisação momentânea da produção. A fábrica funciona em uma área vinculada ao Governo do Estado e está inserida em uma estrutura que, segundo relatos, enfrenta problemas de manutenção que se acumulam há anos. Com a interrupção, trabalhadores passaram a buscar gelo em municípios próximos, principalmente em Itabuna, aumentando os custos e dificultando uma operação que depende de agilidade para preservar o pescado.
A fábrica possui capacidade para produzir cerca de 36 toneladas de gelo em 24 horas e atende, em média, uma demanda de aproximadamente 100 toneladas por semana. O volume varia de acordo com a movimentação do setor, mas a unidade exerce papel importante para pescadores, embarcações, comerciantes de pescado, ambulantes e barraqueiros.
Entre as irregularidades apontadas na interdição estão a falta de proteção na correia do motor e problemas nas placas de identificação dos equipamentos. Embora a operação da fábrica seja realizada por uma empresa terceirizada, a estrutura onde ela está instalada está vinculada ao Governo do Estado.
A situação também evidencia uma divisão de responsabilidades dentro do próprio Terminal Pesqueiro. A Prefeitura de Ilhéus não administra a fábrica de gelo, que funciona no mesmo complexo onde estão instaladas a Secretaria de Agricultura e Pesca (SEAP) e a Bahia Pesca.
Enquanto as adequações necessárias não são concluídas, o impacto recai diretamente sobre quem está na ponta da cadeia produtiva. Além do deslocamento para buscar gelo em outras cidades, há aumento de despesas e dificuldades logísticas para manter o pescado conservado.
A expectativa dos trabalhadores é que as medidas determinadas sejam executadas com rapidez. Para o setor pesqueiro, a retomada da fábrica representa mais do que a volta de um equipamento à atividade: é uma condição necessária para reduzir custos e evitar que uma falha de infraestrutura amplie ainda mais as dificuldades enfrentadas diariamente por quem vive da pesca em Ilhéus.

