Ilhéus inicia autuações por videomonitoramento após instalação do novo sistema

Sistema deve ampliar o número de autuações; moradores cobram melhorias na infraestrutura viária antes do aumento da rigidez

Ilhéus entrou oficialmente em uma nova fase da fiscalização de trânsito. O superintendente da SUTRAM, Cláudio Cardoso, revelou em entrevista ao programa Falando Direito, da Rádio Bahiana, que o município já está operando câmeras inteligentes capazes de identificar diversas infrações, inclusive aquelas cometidas dentro dos veículos, como o uso de celular e a falta do cinto de segurança.

Os equipamentos foram instalados em pontos estratégicos e enviam as imagens diretamente para a central da SUTRAM, onde agentes trabalham de forma contínua analisando cada possível irregularidade. Se a infração é confirmada pelo agente, a autuação é emitida com base nas imagens captadas. Para Cardoso, o sistema representa um avanço no combate à imprudência e deve contribuir para a redução de acidentes.

Segundo o órgão, as câmeras entram agora na fase de registro oficial de infrações como entrada na contramão, estacionamento irregular, paradas indevidas e outras condutas que costumam gerar risco nas vias. O videomonitoramento também permite ampliar a fiscalização para horários e regiões que antes não contavam com agentes no local.

O anúncio, porém, mexeu com a opinião pública. Há quem comemore a chegada da tecnologia, afirmando que o trânsito de Ilhéus, há tempos desorganizado, precisa de mais rigor para conter comportamentos de risco. Mas um número expressivo de moradores critica o momento da implantação, especialmente por causa da quantidade de buracos nas ruas, pneus danificados e falta de manutenção adequada da malha viária. Para esse grupo, é difícil aceitar mais fiscalização quando a infraestrutura básica ainda apresenta problemas evidentes.

Na internet, o tema ganhou espaço rápido. Comentários divididos revelam o clima de desconfiança: enquanto alguns dizem que a cidade finalmente caminha para um trânsito mais seguro, outros enxergam o sistema como uma nova máquina de arrecadação.

Como funciona o videomonitoramento no trânsito

Apesar de muitos motoristas acreditarem que as multas são emitidas automaticamente, o processo funciona de outra forma. Para que uma infração registrada pelas câmeras seja validada, um agente precisa flagrar a irregularidade ao vivo. Somente após essa confirmação humana é que a autuação pode ser emitida.

Além disso, é obrigatório que as vias fiscalizadas tenham sinalização clara informando sobre o uso do videomonitoramento, conforme determina a Resolução 909/22. Sem essa placa, a multa não pode ser aplicada.

As câmeras podem registrar infrações ligadas à circulação e à conduta do motorista, desde que flagradas em tempo real. Entre as mais comuns estão:

• uso do celular ao volante
• falta do cinto de segurança
• avanço de sinal vermelho
• parada irregular em vagas especiais
• circulação pelo acostamento
• excesso de velocidade (quando integrado a radar)

Infrações cometidas dentro do veículo também podem ser observadas, desde que a visibilidade permita e o local esteja devidamente sinalizado. No entanto, somente agentes e autoridades de trânsito estão autorizados a emitir multas com base nesse sistema.

Outro ponto importante é que as câmeras não podem ser usadas para fiscalizar infrações captadas apenas por imagens gravadas. O flagrante precisa ser ao vivo, com acompanhamento em tempo real.

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