Estudo prevê idade mínima de 72 anos para aposentadoria no Brasil até 2040

A promessa da aposentadoria pública, por décadas, foi tida como um direito assegurado ao trabalhador brasileiro. Porém, os números — e os especialistas — mostram um futuro cada vez mais distante para quem ainda acredita que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será suficiente para garantir uma velhice digna.

Um estudo recente do Banco Mundial, divulgado pelo Valor Econômico, traça um cenário preocupante: caso não ocorram reformas urgentes, a idade mínima para aposentadoria pode subir para 72 anos até 2040, e alcançar 78 anos em 2060. Esses dados são respaldados por uma análise da taxa de dependência, que compara a população idosa (acima de 65 anos) com a força de trabalho (20 a 64 anos). Essa taxa, que já mostrava sinais de desequilíbrio em 2020, deve se agravar com o tempo.

A pirâmide está de cabeça para baixo

O modelo previdenciário brasileiro, como muitos economistas vêm alertando, funciona como uma espécie de “pirâmide financeira legalizada”. Isso porque ele depende da entrada constante de novos contribuintes para sustentar os pagamentos aos aposentados atuais. O problema? A base da pirâmide está encolhendo.

Segundo dados do IBGE, a taxa de natalidade no Brasil caiu de 2,4 filhos por mulher em 2000 para 1,6 em 2022, abaixo da taxa de reposição populacional. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida aumentou, saindo de 68 anos em 1990 para 76,8 anos em 2022, graças aos avanços na medicina e nas condições de saúde pública. Ou seja, temos menos pessoas nascendo e mais pessoas vivendo por mais tempo — uma equação que torna o sistema previdenciário insustentável.

“A aposentadoria pública é uma ilusão”

Para o educador financeiro Tiago Reis, fundador da Suno Research, “o brasileiro precisa urgentemente entender que depender exclusivamente do INSS é um dos maiores erros financeiros que se pode cometer”. Em entrevista recente, ele declarou que “o INSS é um modelo falido e que só continua existindo porque é amparado por uma máquina estatal pesada. Mas, matematicamente, ele já quebrou — o que vemos agora é a tentativa de empurrar o colapso com reformas pontuais e aumento da idade mínima”.

Desde a Reforma da Previdência de 2019, que fixou uma idade mínima para aposentadoria (62 anos para mulheres e 65 para homens), as projeções não param de mudar. Se antes era possível se aposentar com menos de 60 anos, hoje o cenário mais provável é que os jovens de hoje só consigam parar de trabalhar perto dos 80.

O Banco Mundial reforça que, sem um crescimento significativo da base de contribuintes — o que depende diretamente da taxa de natalidade e do nível de formalização do trabalho —, a tendência é de piora contínua.

Diante desse cenário, especialistas em finanças pessoais são unânimes: a única saída é se preparar por conta própria. Investir em renda variável, fundos de previdência privada, imóveis ou mesmo empreender são estratégias consideradas mais seguras do que esperar por um benefício público cada vez mais incerto.

“O brasileiro precisa abandonar a ideia de que o governo vai cuidar dele na velhice. A solução está em ganhar mais, gastar melhor e investir com inteligência. A disciplina financeira é o novo plano de aposentadoria”, afirma Gustavo Cerbasi, um dos mais renomados autores de finanças pessoais do país.

O futuro da aposentadoria pública no Brasil não é uma incógnita — é um problema com data marcada. As projeções apontam para um colapso progressivo de um sistema que já mostra sinais claros de esgotamento. A quem ainda acredita que o INSS será suficiente, os números oferecem uma dura realidade: não será. O tempo de confiar no Estado acabou; agora, a responsabilidade é individual.

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