Nos últimos dias, transformar fotos em ilustrações no estilo Studio Ghibli virou febre nas redes sociais entre famosos e anônimos. A tendência ganhou força com o lançamento do novo modelo de inteligência artificial, que permite criar imagens diretamente no ChatGPT.
Mas tenha cuidado! Há riscos envolvidos. Muitos aplicativos que oferecem esse tipo de brincadeira coletam dados pessoais e armazenam imagens em servidores externos, levantando preocupações sobre privacidade, uso indevido de informações e até mesmo vazamento de dados.
Por causa dessa repercussão, a Revista Folha da Praia conversou com o jornalista Alberto Oliveira, especializado em Economia e Novas Tecnologias. Ele destaca que embora a IA possibilite a criação de novas obras, sua base de aprendizado muitas vezes inclui imagens protegidas por direitos autorais. “Mesmo quando a IA gera algo inédito, ela o faz a partir de um treinamento que pode envolver o uso não autorizado de elementos visuais pertencentes a uma marca estabelecida”, explica. Isso significa que, mesmo sem copiar diretamente uma obra, a tecnologia pode estar se apropriando de estilos e composições desenvolvidas ao longo de anos por artistas e estúdios renomados, como o Studio Ghibli.
Ao mesmo tempo, a falta de transparência nos bancos de dados utilizados para treinar essas IAs gera preocupações sobre vazamento de informações. Como esses sistemas absorvem milhões de imagens sem um critério claramente definido, existe o risco de que conteúdos protegidos, ou até mesmo dados sensíveis, sejam utilizados sem o consentimento de seus autores.
A democratização da arte também entra na equação. A IA permite que pessoas sem habilidades técnicas avançadas criem imagens sofisticadas, antes acessíveis apenas a profissionais experientes. Isso pode incentivar novas gerações a explorar o mundo da arte, mas também pode levar a uma padronização estética que desestimula a inovação. “Seria violação de direitos autorais compor uma música no estilo dos Beatles? Escrever um texto que lembrasse Jorge Amado? Produzir um filme com a estética de Glauber Rocha?”, questiona Oliveira, reforçando a complexidade do tema.
A fronteira entre inspiração e apropriação ainda não tem respostas definitivas. Enquanto leis e regulamentações tentam acompanhar a evolução da inteligência artificial, o debate segue aberto, dividindo opiniões entre aqueles que veem a tecnologia como uma ameaça e aqueles que a encaram como uma ferramenta para expandir os limites da criatividade.