Entre “a gente precisa conversar mais” e “quero o seu bem”, aniversário de Jabes Ribeiro movimenta xadrez político em Ilhéus

Mais do que uma comemoração, os 74 anos do Secretário-Geral do PP na Bahia levaram uma mensagem clara sobre território político

*Por Anna Karenina MTB-BA 4085

O aniversário de 74 anos de Jabes Ribeiro movimentou o tabuleiro político de Ilhéus neste sábado (14). O evento reuniu autoridades e evidenciou uma demonstração clara de força política, além de duas mensagens sutis, porém cristalinas, sobre o território político em Ilhéus.

João Leão (PP), Deputado Federal e ex-vice governador da Bahia, prestigiou o evento, ocupando, no momento dos parabéns, a posição central, parecendo ser ele o homenageado.

O aniversário de Jabes também contou com a presença do prefeito de Jequié, Zenildo Brandão Santana, mais conhecido como Zé Cocá (PP).

— Dizem as línguas que ele será o vice de ACM Neto na chapa que disputará a eleição para Governador da Bahia. Até o momento, contudo, não houve nenhuma publicação oficial do partido de ACM Neto, o União Brasil (UB), ou alguma declaração deste em suas redes, a respeito. —

Também se fez presente Carlos Felipe Vazquez de Souza Leão, conhecido como Cacá Leão (PP), secretário de governo da Prefeitura de Salvador, ex-deputado federal e estadual. De acordo com informações de âmbito público, Cacá deixará o cargo como secretário de governo na gestão de Bruno Reis (UB) neste próximo mês de abril para disputar a pré-candidatura como deputado federal nestas eleições de 2026.

Cacá Leão é a indicação do PP como deputado federal em Ilhéus, conforme o que já foi declarado em entrevistas pelo próprio Jabes Ribeiro (PP) em decorrência de um acordo entre ele, Cacá Leão (PP), ACM Neto (UB) e Valderico Júnior (UB), prefeito de Ilhéus, em Salvador.

O aniversário que virou ato político

E aqui é onde há o ponto nevrálgico do acontecimento político de hoje. Valderico Júnior (UB), quase em igual patamar ao debutante, figurou como protagonista no evento. Acendeu as velas e foi abraçado, permanentemente, por João Leão no momento dos parabéns.

Durante o aniversário, Valderico Júnior declarou:

— “Nós tivemos a oportunidade de ganhar as eleições de 2022, unidos, na cidade” – disse, referindo-se aos votos majoritários de ACM Neto em Ilhéus, em comparação aos obtidos por Jerônimo Rodrigues, embora tenha sido este o escolhido para governar a Bahia. E continuou:

— “Nós ganhamos aqui com quase 10 mil votos para ACM Neto, sendo oposição ao município e ao estado. Então, foi a força do nosso trabalho, foram os seus conselhos, como o próprio Cacá disse, trilhando os caminhos para que a gente possa evoluir”, disse Valderico Júnior a Jabes, ao demonstrar que seguir os conselhos dele contribuiu para que ACM Neto alcançasse a maioria dos votos em 2022, em Ilhéus. E continuou:

— “Esse time está sendo montado para transformar a Bahia, para que essas eleições de 2026 sejam vitoriosas, não só em Ilhéus, mas na Bahia como um todo, para que a gente possa transformar e mudar a realidade do nosso estado. A gente precisa cada vez mais conversar e estreitar essa relação. Porque quem ganha não é Valderico Júnior, não é Jabes Ribeiro, é Ilhéus com seu carinho. É Ilhéus que ganha essa determinação”, concluiu.

A parte final do discurso de Valderico Júnior pareceu demonstrar que, para ele:

i) Não há, ainda, por parte do grupo político da gestão municipal, a definição, pelo menos em caráter oficial, sobre o pré-candidato a deputado federal que será apoiado nas eleições de 2026, em Ilhéus;

ii) São necessárias mais conversas e alinhamentos internos;

iii) A decisão não passa por Valderico e nem por Jabes, mas por interesses que se sobrepõem a ambos.

O recado para Valderico Jr.

Após as palavras do prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, tecendo uma fala marcante, dirigiu a seguinte mensagem para Valderico Júnior:

“Eu quero seu bem”, disse, e tornou a repetir: “Eu quero seu bem. Você pode ter certeza disso”, frisou. “Nós não apoiamos você por brincadeira, não”, continuou Jabes, ao tempo em que o prefeito respondeu: “Eu sei disso”. E o debutante seguiu sua fala, declarando: “Quem sabe, até, seria a última possibilidade naquele momento. Por uma série de questões. Wagner me chamou, o prefeito aqui me chamou, meus amigos sabem disso. Mas eu disse, ‘não’. Minha vida foi feita de coerência. Nós tínhamos uma história de 2022 com Neto. Chegamos em 2024 e eu disse, ‘não importa, nós vamos apoiar Valderico’. Eu estava na disputa. Senti que era um ou outro, mais jovem, teimoso, faz parte da vida… ‘Vamos juntos? Vamos’. Mas quero dizer uma coisa. Eu quero seu bem, pode ter certeza disso”, concluiu, em meio a aplausos.

Para bom entendedor, meia palavra bastou. O recado de Jabes Ribeiro para Valderico Júnior foi claro ao demonstrar que o acordo político está sendo levado a sério pelo PP, e que desejar o bem do prefeito parece estar diretamente associado ao cumprimento dessa aliança.

O acordo de 2024 e a eleição de 2026

Resta saber, diante do quadro apresentado, o que sente a população ilheense? Fazem doze anos que Ilhéus não elege um deputado federal.

Se de um lado, reiteradamente, Jabes Ribeiro vem reivindicando publicamente do prefeito Valderico Júnior o cumprimento do acordo selado na campanha de 2024, por outro lado, diversos atores políticos da cidade se articulam em suas legendas, buscando por bases eleitorais em diferentes comunidades de Ilhéus.

Dizem outras línguas que a aliança entre Jabes Ribeiro e Valderico Júnior está muito bem selada e será cumprida. Se assim for, pode estar em curso uma engenhosa cortina de fumaça política com requintes de ilusionismo para apresentar-se o escolhido no momento estratégico.

O risco para Ilhéus

O grande risco, por ora, é Ilhéus carecer de maior volume político de base e acabar fracionando seu eleitorado em dezenas de candidatos, sem conseguir ter força suficiente para eleger representantes em Brasília e na Bahia. Se esse cenário se confirmar, Ilhéus estará, mais uma vez, sendo usada por estruturas de poder que só vêm para o território, que pertence aos ilheenses, buscar votos e nada mais. O território dos ilheenses não deve ser feito de reduto de lideranças que visam apenas alcançar algum capital político com o intuito de negociar cargos.

Não permitir que isso aconteça é uma responsabilidade não só dos atores sociais que amam Ilhéus de verdade, mas principalmente de cada cidadão de estruturar volume e unir propósitos em comum. Já passou da hora de cada munícipe perceber que ser eleitor não é ser gado marcado, mas sim, dizer quem quer e falar para as estruturas quem melhor é capaz de ser seu porta voz nos espaços de poder. Os dados já foram lançados. Que comecem os jogos [ou continuem].

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