O Carnaval de Salvador em 2026 não teve apenas um hit. Teve disputa, virada histórica, recorde e uma enxurrada de votos que transformaram as enquetes em verdadeiros campos de batalha digitais. Entre trios elétricos, coreografias replicadas à exaustão e mobilizações de fã-clubes, três canções se consolidaram como as mais comentadas da folia: “Vampirinha”, de Ivete Sangalo, “O Baiano Tem o Molho”, de O Kannalha, e “Panamera”, de Tony Salles.
Cada uma venceu à sua maneira. E em premiações diferentes.
Ivete e o peso da tradição
“Vampirinha” saiu consagrada no tradicional Troféu Bahia Folia, ao conquistar 51,27% dos votos do público e garantir a Ivete seu sétimo título na premiação — um recorde. A cantora, que já havia vencido com sucessos como “Festa”, “Cadê Dalila” e “O Verão Bateu em Minha Porta”, ampliou a própria hegemonia em Salvador.
A vitória teve margem confortável sobre “Panamera” (13,25%) e “O Baiano Tem o Molho” (12,02%). O resultado reforça a força histórica de Ivete no circuito e sua conexão direta com o folião que vota. Ainda assim, 2026 mostrou que o reinado não foi absoluto.
O Kannalha e a virada do povo
Se no Bahia Folia Ivete reinou, no Troféu Correio Folia a história foi outra. Com 35,91% dos votos e mais de 524 mil participações individuais, “O Baiano Tem o Molho” virou o jogo na reta final e tomou a dianteira numa disputa marcada por mobilização intensa nas redes sociais.
A enquete ultrapassou 1,4 milhão de votos. “Panamera” ficou em segundo (29,71%) e “Vampirinha” em terceiro (22,97%). A arrancada decisiva veio durante o Carnaval, impulsionada por forte engajamento digital e por episódios que ampliaram a visibilidade do artista.
No Troféu Aratu Folia, o cenário se repetiu: O Kannalha levou novamente o título de Música do Carnaval com 385.142 votos (38,55%), consolidando a canção como um fenômeno popular que extrapolou os circuitos oficiais.
Curiosamente, a estratégia de apostar em uma música lançada em 2025, em vez de apresentar novidade inédita, mostrou que repetição e identificação também constroem hit.
Tony Salles e o hit onipresente
Enquanto as votações online se dividiam entre Ivete e O Kannalha, “Panamera” fez o caminho das ruas. A música de Tony Salles foi executada à exaustão por diferentes artistas e ganhou vida própria com uma coreografia que viralizou.
O cantor acumulou prêmios em diferentes veículos e plataformas: Piatã FM, Juca Folia, Macaco Gordo, LFTV e PS Notícias reconheceram “Panamera” como Melhor Música, enquanto a TV Band premiou a Melhor Coreografia do Ano. Foi um Carnaval de consolidação para Tony, que já vinha de destaque em 2025 com “Perna Bamba”.
Mesmo sem vencer as duas principais enquetes populares, “Panamera” se tornou onipresente — aquele refrão que o folião dizia não aguentar mais ouvir, mas continuava cantando.
Três vitórias, três leituras
Os números contam histórias diferentes.
O Bahia Folia apontou maioria confortável para Ivete.
O Correio Folia e o Aratu Folia registraram a força da mobilização digital de O Kannalha.
As premiações paralelas e a adesão nas ruas mostraram a capilaridade de Tony Salles.
No fim, o Carnaval de 2026 revelou algo maior: hoje, o título de “música do Carnaval” não nasce apenas no trio elétrico. Ele se constrói na avenida, nas redes sociais, nas enquetes e na capacidade de engajar públicos distintos.
E é justamente aí que mora a pergunta que segue ecoando depois da Quarta-feira de Cinzas:
Para você, qual dessas três — “Vampirinha”, “O Baiano Tem o Molho” ou “Panamera” — mereceu ser, de fato, a música do Carnaval da Bahia em 2026?


