Conheça mais sobre Tatiana Sampaio, a cientista brasileira que reacendeu a esperança na lesão medular

Durante anos, o trabalho de Tatiana Coelho de Sampaio ficou restrito às salas de aula e aos laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora doutora, pesquisadora dedicada e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, ela seguiu a rotina comum a muitos cientistas brasileiros: pesquisa contínua, publicações técnicas e pouca visibilidade fora do meio acadêmico.

Formada em Ciências Biológicas em 1986, com mestrado em 1990 e doutorado em 1992, Tatiana escolheu investigar um território microscópico e complexo. Desde os anos 1990, estuda a laminina, proteína presente naturalmente no organismo humano e fundamental para a organização celular. A partir dessa linha de pesquisa nasceu a polilaminina, desenvolvida em laboratório como alternativa para estimular a regeneração de tecidos nervosos.

A ideia é direta e ao mesmo tempo desafiadora: aplicar o composto na região lesionada da medula espinhal para favorecer a reconexão de estruturas nervosas. Em testes iniciais, pacientes apresentaram melhoras significativas. Um deles, diagnosticado com tetraplegia, recuperou os movimentos. O resultado chamou atenção e colocou o nome da pesquisadora no centro das discussões sobre medicina regenerativa no país.

Tatiana, porém, evita qualquer discurso apressado. O tratamento segue em fase experimental e precisa cumprir etapas rigorosas. Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início dos estudos clínicos para avaliar a segurança do medicamento. Só depois dessa fase será possível falar em aplicação mais ampla.

Além da atuação na universidade, ela também é sócia e consultora científica da Cellen, empresa voltada à produção de células-tronco para uso veterinário. Sua carreira é marcada pela constância e pelo aprofundamento técnico, não por anúncios espetaculares.

O reconhecimento público ganhou outro alcance quando o cantor João Gomes citou seu nome durante apresentação na Marquês de Sapucaí. A cena simbolizou algo raro: uma pesquisa de laboratório sendo celebrada diante de milhares de pessoas.

A história de Tatiana Sampaio revela o que costuma acontecer longe das manchetes. São décadas de estudo, ajustes e tentativas até que um resultado comece a apontar novos caminhos. A resposta definitiva sobre a polilaminina ainda está em construção, mas a trajetória da cientista já alterou o tom da conversa sobre lesões medulares no Brasil.

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