A Polícia Civil da Bahia conduz um inquérito que apura a morte da adolescente M., de 14 anos, ocorrida em 12 de junho de 2025, em Ilhéus. No curso da investigação, a autoridade policial apontou indícios suficientes de autoria e materialidade para o indiciamento de integrantes da gestão de uma instituição de ensino privada do município.
Por razões legais e em respeito ao devido processo judicial, o nome da instituição de ensino não está sendo divulgado neste momento. Ainda assim, o caso ganhou ampla repercussão na cidade à época dos fatos, especialmente após a mãe da adolescente passar a se manifestar de forma recorrente nas redes sociais.
De acordo com o que foi noticiado pelo blog Anderson Silva, o inquérito foi instaurado para apurar não apenas as circunstâncias da morte, mas também possíveis responsabilidades indiretas relacionadas ao ambiente escolar frequentado pela adolescente. Segundo a publicação, ao longo da apuração, a Polícia Civil vem reunindo perícias técnicas, análise de dados digitais e dezenas de depoimentos de ex-alunos, pais, professores e ex-funcionários da instituição.
Ainda conforme as informações divulgadas pelo referido blog, há relatos colhidos no curso da investigação que descrevem um ambiente escolar supostamente marcado por situações de constrangimento, discriminação e tratamento inadequado a alunos, circunstâncias que estão sendo objeto de apuração pelas autoridades competentes. A autoridade policial, segundo a fonte, avalia que esses episódios podem ter contribuído de forma relevante para o sofrimento psicológico enfrentado por M., estabelecendo possível vínculo com o desfecho investigado.
No âmbito da investigação, conforme divulgado, estão sendo analisadas possíveis tipificações penais previstas na legislação vigente, como indução, instigação ou auxílio ao suicídio, especialmente por se tratar de vítima menor de idade, além de lesão corporal de natureza gravíssima. Há ainda referências a possíveis enquadramentos na legislação que trata da injúria racial e da discriminação por raça, cor, etnia ou procedência nacional.
Durante a investigação, outros fatos considerados graves vieram à tona, como supostos constrangimentos ilegais contra alunos, cobranças de mensalidades em atraso realizadas de forma vexatória e indícios de irregularidades administrativas relacionadas à rotina da instituição de ensino, sempre no contexto de apuração preliminar, sem imputação definitiva de responsabilidade.
Embora o inquérito ainda esteja em curso, os indiciamentos já realizados indicam o entendimento preliminar da Polícia Civil quanto à existência de elementos que justificam a responsabilização penal dos investigados. Os autos seguem sob análise e serão oportunamente encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que irão avaliar o conjunto probatório e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia.
A Polícia Civil ressalta que o indiciamento representa uma etapa do procedimento investigativo e que todos os envolvidos têm assegurados os direitos constitucionais ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
A reportagem opta por identificar a adolescente apenas pela inicial de seu nome, como forma de preservar sua memória e respeitar os princípios éticos do jornalismo. O caso reacende, em Ilhéus, o debate sobre responsabilidade institucional, saúde mental de adolescentes e os limites da atuação das escolas na condução de conflitos e práticas disciplinares.

