Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indica que o Banco Master e a Reag Trust realizaram pagamentos que somam R$ 3,6 milhões à empresa A&M Consultoria Ltda., pertencente ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto e à administradora de empresas Mariana Barreto de Magalhães. As informações vieram a público nesta quarta-feira (11) em reportagem do jornal O Globo.
Segundo o documento do órgão de inteligência financeira ligado ao Banco Central do Brasil, a empresa teria movimentado valores considerados elevados em comparação à capacidade financeira declarada. No mesmo período analisado, o relatório aponta que ACM Neto recebeu da própria consultoria 14 transferências que, somadas, chegam a R$ 4,2 milhões.
A A&M Consultoria foi aberta em 28 de dezembro de 2022, com capital social de R$ 2 mil. Ainda de acordo com o relatório, os pagamentos das instituições financeiras começaram logo após a criação da empresa, no final de 2022, e seguiram até maio de 2024.
Defesa de ACM Neto
Em resposta à reportagem, ACM Neto afirmou que a empresa prestou serviços de consultoria para diferentes clientes, incluindo o Banco Master e a Reag, sempre com contratos formais e recolhimento de impostos.
De acordo com o político, os trabalhos envolveram análises da agenda político-econômica nacional e reuniões com equipes técnicas e jurídicas das empresas contratantes. Ele também negou qualquer irregularidade ou vínculo entre os pagamentos recebidos e as investigações que envolvem as instituições financeiras.
“Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação”, declarou. O ex-prefeito acrescentou ainda que os valores recebidos e declarados são compatíveis com os serviços prestados e que os contratos foram encerrados após o término das atividades.
Contexto das investigações
As apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Banco Central investigam possíveis irregularidades envolvendo as instituições citadas. No caso da Reag, as suspeitas apontam que a gestora de investimentos teria sido utilizada para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
O fundador do banco, Daniel Vorcaro, está preso preventivamente. Já a Reag, ligada ao empresário João Carlos Mansur, também é investigada por suposta relação com um esquema de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), alvo da Operação Carbono Oculto.


