O Carnaval de Salvador revelou um dado que vai além da festa nas ruas. Até a segunda-feira (16), penúltimo dia oficial da folia, 7.904 pessoas realizaram testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) nos circuitos da capital. O número representa um aumento de 68% em relação ao mesmo período de 2025, quando 4.704 exames haviam sido aplicados.
As informações foram divulgadas em reportagem do jornalista Gustavo Zambianco, do jornal A Tarde, com base em dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Em Salvador, 288 pessoas tiveram resultado positivo. A sífilis concentrou a maioria dos diagnósticos, com 243 casos. Também foram confirmados 25 casos de HIV, sete de hepatite B e 13 de hepatite C. Segundo a SMS, todos os pacientes receberam orientação imediata após o resultado. Parte iniciou tratamento ainda durante a festa, enquanto outros foram encaminhados para acompanhamento na rede municipal.
O cenário se repete em escala maior no estado. Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam que, em 2026, foram realizados 29.479 testes em todo o território baiano — mais que o dobro dos 14.607 aplicados no mesmo período do ano passado, um crescimento de 102%.
No total estadual, 564 exames apresentaram resultado reagente: 491 para sífilis, 40 para HIV, 24 para hepatite C e nove para hepatite B. De acordo com a Sesab, o número de casos positivos aumentou 54,9% em comparação com 2025.
Os números evidenciam dois movimentos simultâneos: de um lado, a ampliação do acesso aos testes rápidos durante grandes eventos; de outro, a persistência das ISTs como desafio de saúde pública. Em meio à maior festa popular do país, a prevenção e o diagnóstico precoce seguem como instrumentos essenciais para conter o avanço das infecções.


