O mercado internacional do cacau atravessa um período de acomodação de preços próximo ao patamar de US$ 6 mil por tonelada, em meio à expectativa pelo rebalanceamento do Índice de Commodities da Bloomberg (BCOM). A inclusão oficial dos contratos futuros da commodity no índice, que passa a valer a partir desta quarta-feira (8), tem ampliado a atenção dos investidores e contribuído para um ambiente de maior volatilidade.
No campo técnico, o mercado trabalha com referências bem definidas. Analistas apontam a região de US$ 5.750 por tonelada como um suporte relevante, enquanto as principais resistências se concentram entre US$ 6.150 e US$ 6.350. Esses níveis tendem a orientar os próximos movimentos dos preços, especialmente diante do reposicionamento de fundos vinculados ao BCOM.
Na sessão de terça-feira, o contrato de cacau com vencimento em março registrou forte oscilação ao longo do dia. As cotações variaram entre a mínima de US$ 5.944 e a máxima de US$ 6.166 por tonelada, encerrando o pregão a US$ 5.954, com recuo de US$ 123. O mercado contabilizou 13.556 negócios, totalizando um volume de 29.917 contratos.
Apesar da queda diária, o interesse em aberto apresentou aumento estimado de 1.199 contratos, alcançando 127.483, o que indica a permanência do apetite especulativo e institucional pelo ativo. Outro fator que segue sustentando o viés de curto prazo é a redução dos estoques certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela ICE. O volume caiu 4.285 sacas, totalizando agora 1.638.018 sacas.
Indicadores técnicos também reforçam um cenário de equilíbrio. O Índice de Força Relativa (RSI) do contrato de março, com o preço ao redor de US$ 5.970, está em 51%, sinalizando ausência de condições extremas de sobrecompra ou sobrevenda.
No ambiente macroeconômico, o mercado cambial apresenta relativa estabilidade. O contrato futuro do dólar com vencimento em janeiro de 2026 é negociado próximo de R$ 5,42, movimento que limita impactos adicionais sobre os preços domésticos das commodities atreladas à moeda norte-americana.
Os investidores também acompanham com atenção a divulgação de indicadores econômicos dos Estados Unidos, como os dados de emprego no setor privado (ADP), o índice ISM da atividade industrial e informações sobre renda do trabalho e novos pedidos à indústria. Esses números podem influenciar o humor dos mercados globais e, de forma indireta, o desempenho das commodities agrícolas.
Do ponto de vista fundamental, o cenário de oferta segue pressionado. Dados recentes de exportação da Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, mostram que os embarques entre 1º de outubro e 4 de janeiro somaram 1,071 milhão de toneladas, volume 3,4% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. O resultado reforça as preocupações com a disponibilidade global do produto e mantém o mercado em estado de atenção nos próximos meses.

