Foto: Uendel Galter / Ag. A TARDE
O presidente Lula volta a Salvador neste sábado (14) para acompanhar o Carnaval no Camarote do Governo da Bahia, no circuito do Campo Grande. Ao lado da primeira-dama Janja da Silva, o petista reforça uma presença que ultrapassa o simbolismo da festa. A informação foi publicada pelo jornalista Anderson Gomes, do jornal A Tarde.
Será a terceira visita do presidente à capital baiana em 2026. Em janeiro, participou do encontro nacional do MST. Na semana passada, esteve na cidade para cumprir agendas na área da saúde e participar das comemorações pelos 46 anos do PT. A frequência chama atenção e tem explicação política. A Bahia foi determinante para a vitória de Lula em 2022 e tende a ocupar novamente posição central na estratégia eleitoral do presidente.
No segundo turno da última eleição presidencial, o estado registrou a maior diferença de votos absolutos entre Lula e Jair Bolsonaro. O petista obteve 6.097.815 votos, contra 2.357.028 do adversário, uma vantagem de 3.740.787 votos. Em termos percentuais, Lula alcançou 72,12%, enquanto Bolsonaro ficou com 27,88%. O desempenho só foi superior ao registrado no Piauí.
A importância desse resultado se evidencia quando comparada aos maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, Bolsonaro abriu vantagem de 2.696.705 votos. No Rio de Janeiro, a diferença foi de 1.247.677 votos em favor do então presidente. Minas Gerais apresentou disputa equilibrada, com leve vantagem para Lula de 49.650 votos.
Somando os resultados de São Paulo e Rio, Bolsonaro acumulou frente de 3.944.382 votos. Já a soma da vantagem de Lula na Bahia e em Minas Gerais chegou a 3.790.437. A diferença final entre os dois blocos ficou em 153.945 votos, o equivalente a 0,1% do total de eleitores que participaram do pleito. O dado ajuda a dimensionar o peso político da Bahia no resultado nacional.
O cenário estadual também entra na equação. Um desempenho expressivo de Lula no estado é visto como fator relevante para a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. Pesquisas recentes indicam que o chefe do Executivo baiano aparece atrás de ACM Neto, o que amplia a necessidade de alinhamento político entre o Palácio do Planalto e o governo estadual.
Ao jornal A Tarde, o cientista político Cláudio André avaliou que a presença constante do presidente na Bahia não é casual. Segundo ele, a ocupação de cargos estratégicos por baianos na Esplanada dos Ministérios, como o ministro Rui Costa, reflete o reconhecimento do peso eleitoral do estado. Na análise do pesquisador, a eleição baiana tende a funcionar como termômetro da força do lulismo no quarto maior colégio eleitoral do país.
Existe ainda a expectativa de uma nova visita presidencial a Salvador em março, quando Lula poderá autorizar o início das obras de expansão do metrô até o Campo Grande. Antes disso, presidente e governador devem cumprir agenda conjunta na Ásia, com visitas a indústrias farmacêuticas.
Entre compromissos oficiais e agendas públicas, a movimentação sinaliza que a Bahia ocupa papel decisivo na construção do projeto eleitoral de 2026. Mais do que cenário de celebração, o estado permanece como um dos principais alicerces políticos do presidente.


