Foto Joa Souza GovBA
O governador Jerônimo Rodrigues embarcou para a Índia com uma missão que vai além de protocolos diplomáticos. A viagem, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como foco abrir caminho para que a Bahia produza, em solo próprio, medicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde.
A agenda inclui visitas a instalações de empresas farmacêuticas e a formalização de acordos que devem viabilizar a produção de cerca de quatro medicamentos pela Bahiafarma, laboratório público estadual. A aposta é consolidar o estado como referência nacional na indústria farmacêutica pública, reduzindo custos, ampliando o acesso a tratamentos de alta complexidade e fortalecendo a autonomia produtiva do país.
Jerônimo defende que fabricar medicamentos na Bahia significa mais do que economia para o SUS. Representa geração de emprego qualificado, estímulo à cadeia produtiva local e inserção do estado em um mercado estratégico que hoje é altamente dependente de importações. A secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, integra a comitiva e acompanha as tratativas técnicas.
A articulação ocorre dentro das chamadas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, instrumento que permite a transferência de tecnologia e a produção nacional de medicamentos considerados essenciais. Entre as prioridades estão fármacos voltados inclusive ao tratamento oncológico, área em que a demanda cresce e os custos pressionam o orçamento público.
A escolha da Índia não é casual. O país asiático é um dos maiores produtores mundiais de medicamentos genéricos e insumos farmacêuticos, com forte presença no fornecimento global. Ao buscar acordos diretos, o governo baiano tenta encurtar distâncias tecnológicas e ampliar sua capacidade industrial.
Enquanto Jerônimo cumpre a agenda internacional, o vice-governador Geraldo Júnior assume interinamente o comando do estado e mantém as agendas oficiais na Bahia.
A viagem insere o estado em um movimento mais amplo de reindustrialização da saúde, tema que voltou ao centro do debate nacional após a pandemia expor fragilidades na cadeia de suprimentos. Para a Bahia, o desafio agora é transformar intenções diplomáticas em produção concreta nas prateleiras do SUS.


