O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta sexta-feira (11) uma possível disposição para negociar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a recente escalada nas tensões comerciais entre os dois países. “A conversa não será agora”, afirmou Trump ao ser questionado sobre a relação com o Brasil, durante um evento em Washington.
A declaração, ainda que vaga, representa o primeiro sinal de recuo desde que Trump anunciou, por meio de carta enviada a Lula na última quarta-feira (9), a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, que inclui itens como aço, alumínio e produtos agrícolas, está prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto.
A decisão de Trump gerou forte reação no Brasil, que vê na taxação um risco direto às exportações e ao equilíbrio da balança comercial entre os dois países. Desde o anúncio, o Itamaraty vinha buscando uma abertura para diálogo, mas ainda não havia recebido resposta oficial da Casa Branca.
O gesto do presidente americano pode sinalizar uma mudança de tom, ainda que cautelosa. Especialistas em relações internacionais avaliam que Trump está utilizando as tarifas como instrumento de pressão política e econômica, estratégia comum em seu governo, especialmente em períodos de disputa eleitoral.
O Planalto ainda não se manifestou oficialmente sobre a nova declaração de Trump, mas fontes do governo indicam que Lula vê com cautela o gesto e espera que haja espaço real para reverter a tarifa antes de sua implementação.
A expectativa agora é por uma eventual rodada de negociações nas próximas semanas, que possa evitar a aplicação das novas taxas e amenizar o clima de tensão entre Brasília e Washington.


