Na abertura do Carnaval de Salvador, na noite desta quinta-feira (12), a movimentação política nos camarotes foi tão intensa quanto a dos trios na avenida. Em meio à festa, o senador Angelo Coronel fez sua primeira aparição pública ao lado de ACM Neto, gesto que consolidou, diante das câmeras e dos aliados, a aliança que vinha sendo construída nos bastidores desde que o parlamentar foi excluído da chapa governista.
A presença conjunta não deixou margem para dúvidas. Coronel, ainda filiado ao PSD, já admite que caminhará com o ex-prefeito de Salvador na disputa eleitoral deste ano. A aproximação ocorre após o rompimento com o grupo do governador Jerônimo Rodrigues, provocado pela decisão do PT de montar uma chapa “puro-sangue”, reservando as vagas majoritárias apenas a nomes petistas.
Em entrevista à rádio Patos FM 87,9, de Ipecaetá, o senador confirmou que sua posição política está definida, embora a filiação partidária ainda esteja em negociação. Ele dialoga com ao menos três legendas da base oposicionista — União Brasil, PP e Republicanos —, mas nos bastidores a avaliação predominante é de que o destino mais provável seja o União Brasil. Caso a filiação se confirme, Coronel poderá disputar a reeleição com o número 444. Em 2018, quando conquistou o mandato pelo PSD, utilizou o 555.
Do outro lado, o tabuleiro governista já tem desenho praticamente fechado. A expectativa é que Jerônimo Rodrigues concorra à reeleição tendo como candidatos ao Senado o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner. A composição marca uma estratégia de concentração partidária e fortalece a presença do PT na disputa majoritária.
Na oposição, resta apenas uma peça indefinida: o nome para a vice-governadoria. O mais cotado é o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, também do União Brasil. Para entrar na chapa, ele precisaria deixar o cargo até abril. O prefeito afirma que ainda avalia o cenário e promete anunciar sua decisão até o fim de março.
O encontro entre Coronel e ACM Neto no Carnaval, mais do que simbólico, foi interpretado como o primeiro ato público de uma nova configuração eleitoral na Bahia — uma movimentação que altera o equilíbrio entre governo e oposição e antecipa o tom da disputa que deve ganhar intensidade nas próximas semanas.
Com informações do jornalista Rodrigo Daniel Silva, do Correio da Bahia.


