Saneamento e drenagem de R$ 32 milhões em Itabuna projetam impactos ambientais positivos no sul da Bahia

Foto: Pedro Augusto

Por Anna Karenina MTB-BA 4085

O anúncio de um programa de urbanização e saneamento básico voltado à requalificação dos canais de macrodrenagem de Itabuna, com investimento de R$ 32 milhões por meio do Novo PAC, não apenas mira a solução de problemas históricos de alagamento na cidade, como também sinaliza efeitos ambientais relevantes em escala regional, especialmente na recuperação da bacia do Rio Cachoeira e na qualidade das águas que chegam ao litoral de Ilhéus.

O projeto será executado pela Prefeitura de Itabuna em parceria com a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), contemplando intervenções em 4.747 metros lineares de canais nos bairros Califórnia, Gogó da Ema, Jaçanã, Santo Antônio, Vila Anália e São Caetano.

Prefeito de Itabuna, Augusto Castro, e a Secretária de Infraestrutura e Urbanismo, Sônia Fontes, em vistoria no canal do Califórnia, trecho incluído nas obras de drenagem urbana no município. Foto: Divulgação.

As ações previstas incluem a requalificação de córregos urbanos, adequação de margens, recuperação da vegetação ciliar e a implantação de interceptores de esgoto para o direcionamento adequado de efluentes domésticos. A proposta também abrange limpeza, desobstrução e urbanização do entorno dos canais, buscando conciliar funções hidráulicas e preservação ambiental.

A iniciativa integra um conjunto de obras estruturantes voltadas à melhoria do sistema de drenagem urbana, com potencial para reduzir alagamentos recorrentes e ampliar as condições de saneamento básico no município.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro, afirmou, conforme divulgado pelo jornal A Tarde, que se trata de uma obra aguardada há muito tempo pela população. Já segundo informações publicadas pelo Pimenta Blog, o gestor destacou que as ações devem impactar diretamente a qualidade de vida das comunidades que vivem no entorno dos canais.

Embora os benefícios imediatos estejam relacionados à melhoria da infraestrutura e das condições ambientais em Itabuna, o alcance da obra ultrapassa os limites do município. Avaliações de representantes da sociedade civil apontam que intervenções dessa natureza influenciam toda a dinâmica da bacia do Rio Cachoeira, com reflexos diretos em cidades do sul da Bahia, como Ilhéus.

“Esse é um grande serviço que o município de Itabuna vai prestar para a região e conecta com o trabalho que as organizações ambientais vêm desenvolvendo para a recuperação da bacia do Rio Cachoeira. É uma resposta pública em relação à contaminação das águas e dos rios”, avalia Maria do Socorro Mendonça, presidente do Instituto Nossa Ilhéus e do Conselho Municipal de Turismo de Ilhéus.

Maria do Socorro Mendonça, presidente do Instituto Nossa Ilhéus e do Conselho Municipal de Turismo. Foto: Janderson Rocha.

Para ela, trata-se de uma intervenção com capacidade de gerar benefícios em escala regional, especialmente do ponto de vista ambiental. Segundo destaca, a dinâmica da poluição na bacia envolve diferentes territórios e não se limita a um único município.

“Os resíduos vêm de vários municípios ao longo da bacia. Parte desse material passa por Itabuna, onde os canais urbanos deságuam no Rio Cachoeira, e segue até Ilhéus, chegando às praias, especialmente em períodos de cheia, quando as baronesas arrastam matéria orgânica e resíduos sólidos”, explica.

Ainda de acordo com a dirigente, ao atuar na origem do problema, os efeitos positivos tendem a se refletir em toda a cadeia ambiental conectada ao rio.

“Os efeitos positivos refletem na qualidade da bacia. Ganha Itabuna, o manguezal, o estuário da Sapetinga e todos que frequentam as praias em Ilhéus, na Bahia, no Brasil e até fora do país, porque esses resíduos são levados pelas correntes marítimas”, completa.

Conexão com a bacia do Rio Cachoeira

O tema se insere em um contexto mais amplo de discussões regionais sobre a recuperação da bacia do Rio Cachoeira, agenda que vem sendo acompanhada pela redação da Folha da Praia. Relembre aqui e aqui.

Articulação regional e próximos passos

O movimento em defesa da recuperação das bacias hidrográficas do Rio Cachoeira, que abrange 13 municípios, e, do Rio Almada, que envolve outros oito, segue em articulação por meio do Fórum Sul da Bahia Global, iniciativa que reúne organizações da sociedade civil, empresas e lideranças regionais.

Segundo Maria do Socorro Mendonça, está em fase de conclusão o diagnóstico técnico do Rio Almada, conduzido pela Codevasf, o que deve ampliar a base de dados para a formulação de políticas públicas voltadas à recuperação ambiental da região.

Nesse cenário, uma das estratégias em construção envolve a formalização de compromissos políticos para viabilizar recursos.

“O próximo passo é uma carta compromisso que será apresentada a candidatos a deputado estadual, federal e ao Senado, com o objetivo de garantir a destinação de emendas parlamentares para a recuperação dessas bacias”, destaca.

Ela ressalta que a captação desses recursos é fundamental para a execução das ações.

“A Codevasf não dispõe de recursos próprios suficientes. É essencial que a região tenha representatividade política capaz de garantir emendas parlamentares e fortalecer essa pauta no Congresso”, pontua.

Ao integrar ações locais a uma agenda regional mais ampla, a avaliação é de que iniciativas como a anunciada em Itabuna contribuem para um movimento estruturante de recuperação ambiental, com efeitos que se estendem por todo o território do sul da Bahia.

 

Assuntos abordados no último mês

Procurando por um assunto específico?

Faça aqui sua pesquisa e encontre o artigo ou publicação que procura.