Foto: Elemilson Negão
Em meio ao avanço das mudanças climáticas e à crescente pressão sobre os recursos naturais, a Embasa amplia sua atuação em segurança hídrica na Bahia. A iniciativa ganha destaque na semana do Dia Mundial da Água, com a realização de um encontro técnico nesta terça-feira (24), em Parque da Embasa no Lucaia, reunindo especialistas, gestores e representantes institucionais.
O evento marca um momento de reflexão e planejamento estratégico diante de um cenário considerado cada vez mais desafiador para o setor de saneamento. A empresa anunciou investimentos da ordem de R$ 23 milhões voltados ao fortalecimento do monitoramento e da gestão dos mananciais utilizados no abastecimento em diversas regiões do estado.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta da companhia frente a fenômenos como irregularidade das chuvas, eventos climáticos extremos e degradação da qualidade da água. Para isso, a Embasa aposta na incorporação de tecnologias avançadas, geração de dados hidrológicos e aperfeiçoamento dos sistemas operacionais.
Segundo o gerente socioambiental da empresa, Fabrício Tourinho, o contexto atual exige adaptação contínua. Ele destaca que o uso da tecnologia se tornou essencial para minimizar impactos e antecipar cenários críticos, cada vez mais frequentes.
Os efeitos recentes reforçam esse diagnóstico. No início de fevereiro, chuvas intensas associadas à passagem de uma frente fria provocaram interrupções no abastecimento em municípios do interior baiano. Problemas como alteração na qualidade da água bruta, alagamentos em estruturas e danos em redes de distribuição evidenciaram a vulnerabilidade dos sistemas.
Entre os principais projetos em andamento, está a modelagem hidrodinâmica das barragens de Pedra do Cavalo e Joanes II, responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de Salvador. A tecnologia permite simular cenários climáticos e operacionais, antecipar riscos e orientar decisões com maior precisão.
Outro eixo estruturante é a ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico, que contará com cerca de 60 pontos de coleta distribuídos em diferentes bacias hidrográficas. Com investimento estimado em R$ 12 milhões, o sistema permitirá acompanhamento em tempo real de indicadores como volume de chuvas, vazão e nível dos reservatórios.
A estratégia também inclui ações de prevenção e controle ambiental, como identificação precoce de alterações nos mananciais, combate à eutrofização e proliferação de cianobactérias, além de projetos de recuperação de bacias hidrográficas.
Para o presidente da Embasa, Gildeone Almeida, o reforço na segurança hídrica é uma resposta direta às transformações climáticas e ao crescimento urbano. “O objetivo é garantir maior resiliência dos sistemas e assegurar a continuidade e qualidade do abastecimento à população”, pontua.
As ações seguem diretrizes do Marco Legal do Saneamento e da Política Nacional de Recursos Hídricos, consolidando a segurança hídrica como eixo central da sustentabilidade no serviço público de abastecimento no estado.

