As mobilizações previstas por produtores de cacau em diferentes rodovias da Bahia foram suspensas nesta semana, conforme comunicado oficial divulgado pela Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC).
A entidade informou que a diretoria se deslocou para Brasília, onde participa de audiência com o ministro da Agricultura para tratar diretamente das demandas do setor.
Com isso, estão temporariamente suspensas as mobilizações que ocorreriam em municípios como Aurelino Leal, Presidente Tancredo Neves e Itamaraty.
Segundo a presidente da ANPC, Vanuza Barroso, as ações deverão ser retomadas após o retorno da diretoria, “de forma organizada e responsável”.
O que estava previsto
Produtores planejavam realizar interdições em trechos da BR-101 e em rodovias estaduais, com a participação de cacauicultores do Vale do Jiquiriçá, Mutuípe, Amargosa, Laje, Santa Inês, São Miguel das Matas, Presidente Tancredo Neves, Itamaraty e Aurelino Leal. A mobilização visa a atenção das autoridades federais e estaduais para a crise enfrentada pela cacauicultura.
No entanto, diante do diálogo institucional aberto com o Ministério da Agricultura, a entidade optou por priorizar a negociação direta.
Reivindicações do setor
A mobilização dos cacauicultores ocorre em meio a um cenário de forte pressão econômica. Entre as principais queixas estão:
* queda acentuada no preço da arroba do cacau
* pagamento com deságio por indústrias moageiras, abaixo da cotação internacional
* aumento das importações de amêndoas, sobretudo de países africanos, pressionando o mercado interno
* preocupação fitossanitária com a entrada de produto estrangeiro
* pedidos de revisão da Instrução Normativa nº 125/2021 do Ministério da Agricultura (MAPA), que flexibilizou regras de importação
* necessidade de políticas públicas de apoio ao produtor
De acordo com lideranças do setor, a combinação desses fatores reduz a renda no campo e compromete a sustentabilidade de milhares de famílias que dependem da cultura do cacau.
Orientação jurídica
Em nota divulgada aos produtores, representantes da organização reforçaram a orientação de mobilizações, ordeiras, pacíficas e por meios institucionais organizados.
Diálogo com o poder público
Recentemente, representantes da cadeia produtiva também se reuniram com o Governo da Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues recebeu prefeitos e produtores na Governadoria e anunciou a criação de uma comissão de trabalho para acompanhar o mercado e discutir medidas de apoio.
O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), também participou das conversas e reforçou a necessidade de atenção aos impactos econômicos da queda de preços e às preocupações em torno das importações.
O objetivo é construir soluções conjuntas para enfrentar a crise e preservar a importância econômica e social da cacauicultura na região.
O cacau movimenta empregos, comércio e identidade cultural, sendo considerado estratégico para a economia regional.
*Por Anna Karenina MTB-BA 4085

