Puxada do Mastro de São Sebastião reafirma ancestralidade, fé e identidade Tupinambá em Olivença

Há mais de três séculos, a Puxada do Mastro de São Sebastião atravessa o tempo como uma das celebrações culturais mais antigas em atividade contínua no sul da Bahia. Realizada em Olivença, no território Tupinambá, a tradição vai além de um evento religioso: é um ritual de pertencimento, resistência e memória coletiva que conecta o povo à floresta, ao sagrado e à própria formação histórica de Ilhéus.

A celebração, que acontece todos os anos em janeiro, nasce da cosmologia Tupinambá, profundamente ligada à Mata Atlântica, à cura e ao equilíbrio do corpo coletivo. Ao longo do período colonial, a devoção a São Sebastião foi incorporada de forma singular, não como substituição dos saberes tradicionais, mas como um aliado espiritual em tempos de epidemias e sofrimento. Dessa união surgiu uma manifestação cultural única, construída no próprio território, onde espiritualidade indígena e fé católica caminham juntas.

O início da Puxada acontece na mata do Ipanema, área preservada e simbólica para o povo Tupinambá. Antes da retirada do mastro, são realizados rituais de permissão que reafirmam o respeito à floresta. A árvore escolhida é retirada de forma cuidadosa, dentro de um acordo ancestral que prevê a reposição da vida retirada: todos os anos, entre 100 e 150 mudas de espécies nativas são plantadas na região, fortalecendo o compromisso comunitário com a preservação ambiental.

A força da tradição está na participação coletiva. Homens, mulheres, jovens, crianças e idosos integram todas as etapas do rito. As mulheres assumiram protagonismo na derrubada simbólica do mastro; as crianças participam ativamente do preparo do mastaréu, elemento fundamental no processo de transmissão cultural; e os mais velhos orientam e preservam os saberes que mantêm viva a celebração. Esse movimento garante que a Puxada continue sendo uma prática viva, em constante renovação.

Nos últimos anos, a celebração ganhou maior reconhecimento institucional. A Prefeitura de Ilhéus, por meio da Secretaria de Turismo, realiza o evento em parceria com a Associação dos Machadeiros de Olivença (AMAO). A Associação atua como guardiã do patrimônio imaterial, organizando ações de salvaguarda, registrando a memória coletiva, promovendo iniciativas ambientais e fortalecendo o diálogo com as políticas culturais. Já o poder público municipal oferece apoio estrutural, logístico e institucional, respeitando a condução tradicional do festejo.

A inclusão da Puxada do Mastro no primeiro Calendário Turístico oficial de Ilhéus marca um avanço importante na valorização da cultura local. Para o prefeito Valderico Júnior, a celebração simboliza a identidade do município. “Celebrar a Puxada do Mastro é reconhecer a força do povo Tupinambá e a importância dessa tradição para a história e a cultura de Ilhéus”, destacou. O secretário de Turismo, Maurício Tavares, reforçou o papel do evento no turismo cultural: “A presença da Puxada no calendário oficial garante visibilidade e fortalece um turismo autêntico, sustentável e conectado às raízes do território”.

Além de seu valor simbólico, a Puxada do Mastro se consolida como referência em turismo de experiência. Visitantes que chegam a Olivença encontram uma celebração conduzida pelo próprio povo que a criou, sem folclorização, oferecendo uma vivência profunda de contato com a mata, a espiritualidade, a música e a memória ancestral. Para quem participa, a experiência vai além do olhar: é um encontro transformador com o território e sua história.

Manter viva a Puxada do Mastro de São Sebastião é preservar uma herança de mais de 300 anos. É garantir que as futuras gerações possam continuar celebrando seus ancestrais, sua fé e sua relação com a floresta. Em Olivença, a cada janeiro, a tradição se renova, reafirmando que cultura, identidade e resistência caminham juntas no coração da Mata Atlântica.

ATRAÇÕES – PUXADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO 2026

09/01/2026 – Sexta-feira
Roda de Samba de Ilhéus – 21h às 22h30

10/01/2026 – Sábado
Thiago Magalhães – 20h às 21h30
Pago Funk – 22h às 23h30
O Black – 23h40 à 1h

11/01/2026 – Domingo
Tony Canabrava – 19h às 21h
Nadson O Ferinha – 21h30 às 23h
Luan Costa – 23h30 à 1h

Assuntos abordados no último mês

Procurando por um assunto específico?

Faça aqui sua pesquisa e encontre o artigo ou publicação que procura.