Ilhéus e Itabuna concentram cerca de 70% dos pontos de contaminação da bacia do Rio Cachoeira

Um levantamento técnico sobre a bacia do Rio Cachoeira revelou que Itabuna e Ilhéus concentram juntas 71,9% das áreas com potencial de contaminação identificadas ao longo do rio, evidenciando o peso ambiental dos dois principais centros urbanos da região no equilíbrio da bacia hidrográfica.

Os dados integram o estudo realizado pelo Consórcio Nippon Koei Latin America/Plena Consultoria e Projetos, e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), e foram apresentados publicamente nesta terça-feira (16), durante reunião realizada no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, promovida pela Associação dos Municípios da Região Cacaueira (Amurc). O encontro reuniu representantes do poder público, da sociedade civil organizada e de instituições acadêmicas, que dialogaram sobre estratégias para a recuperação da bacia do Rio Cachoeira.

Ao todo, o levantamento identificou 121 Áreas com Potencial de Contaminação (APs) distribuídas entre nove municípios do Sul da Bahia inseridos na bacia hidrográfica do rio.

Itabuna lidera concentração de áreas críticas

De acordo com os dados apresentados na Figura 13 do relatório, Itabuna aparece como o município com maior número de áreas mapeadas, totalizando 55 pontos, o que corresponde a 45,45% de todas as áreas identificadas no estudo.

O resultado reflete o elevado grau de urbanização do município, aliado à concentração de atividades comerciais, industriais e de serviços, muitas delas historicamente instaladas próximas a cursos d’água ou em áreas ambientalmente sensíveis.

Ilhéus ocupa a segunda posição no ranking

Na sequência, Ilhéus concentra 32 áreas com potencial de contaminação, o equivalente a 26,45% do total mapeado. Assim como Itabuna, o município apresenta pressão ambiental significativa, especialmente em áreas urbanas densas, zonas portuárias, regiões com deficiência de saneamento e locais marcados por ocupação desordenada.

Somados, Itabuna e Ilhéus reúnem 87 áreas, o que representa 71,9% de todas as ocorrências identificadas na bacia do Rio Cachoeira, evidenciando que as ações de mitigação precisam ter nesses dois municípios um foco estratégico.

Demais municípios também apresentam pontos de atenção

Embora em menor escala, outros municípios da bacia também foram contemplados pelo levantamento. Ibicaraí aparece com 11 áreas (9,09%), seguido por Itororó, com 8 áreas (6,61%), e Itapé, que contabiliza 6 áreas (4,96%).

Já Floresta Azul registra 4 áreas (3,31%), enquanto Itapetinga soma 3 áreas (2,48%). Firmino Alves e Itaju do Colônia apresentam uma área cada, correspondendo a 0,83% individualmente.

Segundo o estudo, o mapeamento ampliado buscou identificar áreas com potencial de contaminação em toda a extensão da bacia hidrográfica, considerando tanto os grandes centros urbanos quanto municípios de menor porte, onde a contaminação pode ocorrer de forma difusa e menos visível.

Representando a Amurc, a secretária executiva Rita Souza ressaltou que a iniciativa não tem como objetivo culpabilizar os municípios, mas fortalecer uma agenda técnica e colaborativa voltada à recuperação da bacia do Rio Cachoeira, estimulando a atuação integrada entre as gestões municipais e o engajamento institucional.

A avaliação é de que o diagnóstico funciona como um instrumento estratégico para evidenciar caminhos possíveis, orientar a tomada de decisões e subsidiar a busca por fontes de financiamento, especialmente junto aos governos estadual e federal.

*Por Anna Karenina MTB-BA 4085, com exclusividade para a Folha da Praia.

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