O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que autorizou o andamento do processo que pode pôr fim à obrigatoriedade da autoescola para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), abriu espaço para discussões em todo o país. O próximo passo será a realização de uma consulta pública sobre o tema.
Em Ilhéus, o instrutor de autoescola Edvaldo Menezes acompanhou a decisão com atenção e avalia que o debate precisa ser melhor compreendido pela sociedade. “É óbvio que a opinião pública será contra a essa obrigatoriedade, mediante a inúmeras informações distorcidas e ocultas sobre o tema. Muitas pessoas estão acreditando que o processo de obtenção da 1° CNH voltará a ser igual a 50, 60 anos atrás”, destacou.
Segundo ele, é importante esclarecer que, mesmo com possíveis mudanças, a formação prática não será liberada para qualquer pessoa. “Para as aulas práticas, não será qualquer veículo ou pessoa que estará apto para ministrar as aulas, mas sim veículos e profissionais especializados credenciados junto ao Detran estarão aptos para a realização do serviço”, explicou.
Edvaldo considera injusto atribuir às autoescolas a responsabilidade pelo alto valor da primeira habilitação. Ele afirma que o governo federal não apresentou nenhum projeto específico voltado para a educação no trânsito e lembra que o ensino oferecido nos Centros de Formação de Condutores (CFCs) abrange aspectos fundamentais. “O conceito de direção defensiva é dirigir ou pilotar de modo a evitar acidentes. O conhecimento de legislação de trânsito é necessário para que os cidadãos saibam dos seus direitos e cumpram com seus deveres. As informações básicas de funcionamento do veículo são de extrema necessidade para o condutor, afinal a manutenção preventiva diminui a probabilidade de acidente. Todos esses tópicos são abordados, debatidos e compartilhados na autoescola”, ressaltou.
O instrutor também chama atenção para a ausência de incentivos governamentais que poderiam reduzir os custos do serviço prestado. “O governo não oferece nenhum subsídio para as autoescolas com o intuito de reduzir o valor do serviço prestado: autoescola não tem desconto na compra de veículo, não tem isenção de IPVA, não tem desconto no abastecimento de combustível. Incentivos como esse, é notório que impactaria no valor do serviço de autoescola”, reforçou.
Para ele, a CNH é uma conquista que exige responsabilidade e consciência. “Ter uma carteira nacional de trânsito não é apenas poder dirigir ou pilotar, mas sim uma responsabilidade imensurável em uma relação interpessoal constante entre todos os usuários: condutores, motociclistas, ciclistas, pedestres e animais”, finalizou.


